O segredo para impulsionar a operação com dados
Apenas coletar informações não basta. É preciso utilizá-las como pilar na tomada de decisão
por César Ferro em
Muitas empresas afirmam contar com uma gestão de dados exemplar. No entanto, simplesmente reunir informações não transforma os resultados da sua farmácia. É preciso saber interpretá-las e convertê-las em ação.
Para Oscar Ferauche, product owner do Cosmos Pro, divisão de negócios da Procfit, o primeiro passo consiste em diferenciar dados de informações. “Nem toda informação é, de fato, um dado relevante. Ela só pode ser considerada como tal quando tem potencial para gerar impacto financeiro na operação. Sem essa aplicabilidade, registros isolados não têm valor estratégico”, explica.
Entre os impactos mais comuns, o especialista elenca:
- Alavancar vendas
- Otimizar compras
- Reduzir custos
- Criar novas fontes de receita
Tudo começa com a transformação de informações e dados
Para o especialista, o sucesso começa na transformação de registros brutos – como a venda de um produto específico – em informações contextualizadas, como a identificação de picos de demanda. Essa leitura é essencial para revelar falhas de processo e oportunidades de melhoria.
Dashboards de Business Intelligence (BI) representam importantes ferramentas para facilitar a visualização desses insights. Mas Ferauche faz um alerta. “A gestão real exige ir além da simples constatação de um problema, como a queda nas vendas, e avançar para a identificação das causas e a definição de ações corretivas”, argumenta.
Análise empodera as farmácias
A análise dos dados da própria operação, aliada aos indicadores do mercado, empodera o gestor em duas frentes. Além de permitir decisões mais assertivas, também fortalece sua posição na negociação com a indústria e a distribuição.
“Se o empresário identificaalta demanda por um determinado produto em sua loja e o mercado indica tendência de crescimento, ele pode utilizar esses dados para negociar melhores condições com os fornecedores”, exemplifica. “No varejo farmacêutico, uma melhoria de 1% nas compras já pode gerar impactos financeiros relevantes”, completa.
Precificação é especialmente beneficiada
Além das compras, outra dor comum do setor que pode ser resolvida com o uso de dados é a precificação. Com análise frequente de indicadores-chave, é possível evitar preços elevados, que reduzem as vendas; ou excessivamente baixos, que comprometem a margem.
Nesse contexto surgem os simuladores de preços, que analisam o histórico de vendas da farmácia e sugerem ajustes nos descontos, permitindo estratégias mais agressivas ou conservadoras, de acordo com a realidade do mercado.
IAs levam gestão a um novo nível
Soluções de gestão de dados potencializadas por IA podem gerar impactos ainda mais relevantes, inclusive aquelas voltadas ao controle de estoque. A tecnologia pode automatizar diagnósticos e otimizar a reposição, evitando a imobilização de capital e a perda de produtos por vencimento. O executivo cita dois exemplos práticos.
“Ferramentas avançadas conseguem, por exemplo, analisar uma ruptura correlacionando a demanda com a disponibilidade no centro de distribuição. O sistema também diferencia automaticamente quais produtos precisam ser comprados daqueles que podem ser apenas remanejados entre filiais”, relata.
Consumidor no holofote
Por fim, a análise de dados também apresenta grande potencial para aprimorar a experiência do consumidor. Segundo o especialista, é possível analisar a composição dos carrinhos e identificar oportunidades relevantes. “O gestor consegue identificar quais cestas podem ser complementadas e de que forma. Com esse conhecimento, também se tornam viáveis estratégias de fidelização mais precisas”, explica.
“Tratar dados como ativos estratégicos é o caminho para otimizar precificação, estoque, experiência do consumidor e a tomada de decisão. Já passou a fase de dashboards apenas estéticos”, finaliza.