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Pacientes que dependem de medicamentos do Ministério recorrem a doações

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Pacientes com doenças crônicas, que precisam de tratamento contínuo, estão recorrendo a doações para conseguir os remédios de alto custo, que deveriam ser fornecidos pelo Ministério da Saúde.

Os comprimidos estão acabando e a angústia da psicóloga Cláudia Maria de Cristo só aumenta. Há dois meses, a clozapina que o irmão dela usa para controlar um transtorno mental grave, a esquizofrenia, está em falta na rede pública em São Paulo.

“Ele toma seis comprimidos por dia; dois de manhã de manhã e quatro à noite. Se nós fizermos uma conta para comprar essa medicação, vou ter que desembolsar, em média, R$ 2 mil por mês. Fica inviável, né?”, fala.

A Cláudia tem improvisado, com medicações similares ou até dosagem menor do que a recomendada, o que traz consequências. “Ele está um pouco mais agitado, ele anda o tempo todo. Isso aqui é desumano na minha opinião, sabe? Porque poderiam olhar com mais atenção. Por que faltou medicação?”, questiona.
Uma associação de famílias de pacientes com esquizofrenia identificou que a clozapina está em falta em nove estados.

“Sem resposta alguma. Nem do Ministério da Saúde nem do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Afinal de contas, direitos humanos serve para todos aqueles que são vulneráveis. A pessoa com esquizofrenia é uma deficiência psicossocial”, diz Sarah Nicolleli, presidente da Associação Mãos de Mães de Pessoas com Esquizofrenia (AMME).

A falta de remédios e de respostas atinge também pacientes com outras doenças. A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) dá o exemplo do Imatinibe, para tratamento de leucemia, que está em falta em 11 estados e no Distrito Federal.

“Tantos ofícios que a gente manda para as secretarias de Saúde, Ministério Público, Ministério da Saúde, e a gente não tem um esclarecimento do que está acontecendo. Está na Constituição e é um direito e um dever do Estado o paciente ter acesso ao seu tratamento”, explica a gerente de Apoio ao Paciente da Abrale, Melissa Pereira.

Para manter o tratamento mesmo com os remédios em falta na rede pública, muitos pacientes têm buscado socorro pelo celular. Pessoas que tomam as mesmas medicações formaram grupos de ajuda mútua. Aqueles que têm medicamento sobrando, doam para quem está sem.
No mês passado, a paciente Jéssica de Abreu não encontrou o remédio para o tratamento da leucemia mieloide crônica. O medicamento chega a custar R$ 1.800. Com a ajuda de um grupo de pacientes, conseguiu uma caixa que veio da Bahia para São Paulo pelo Correio.

“É um remédio muito caro, que a gente não tem como comprar. É desespero só, é a única coisa que eu posso te falar. Ainda bem que existem essas pessoas boas que nos ajudam, né?”, disse.

A doação, no entanto, é uma solução temporária. A professora e doadora de medicamento Vanessa de Oliveira Melo, de Aracaju, mandou 30 comprimidos no mês passado para um paciente de Pernambuco com leucemia. Não tem mais nada disponível, só que os pedidos não param de chegar.

“A gente precisa que o Ministério da Saúde nos diga alguma coisa, nos dê uma esperança, uma previsão de quando vai resolver. Porque a doação, o trabalho que nós fazemos, de contato paciente a paciente, é apenas um paliativo, é o socorro do momento. Mas não resolve a situação”, destaca.

A Secretaria de Saúde de São Paulo informou que está sem estoques de 21 remédios de alto custo, que são entregues pelo Ministério da Saúde e que faltam medicamentos para doenças psiquiátricas, câncer, diabetes, artrite reumatoide, epilepsia, Doença de Chron, Parkinson e Alzheimer.
O Ministério da Saúde disse que o processo de compra de medicamentos para o estado de São Paulo está em andamento, com previsão de recebimento a partir de segunda-feira.

O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos ficou de encaminhar o pedido das famílias de pacientes com esquizofrenia para o Ministério da Saúde.

 

Fonte: Jornal Nacional

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