Por que chegou a hora de investir em inteligência artificial?
Tecnologia já está consolidada e pode potencializar pilares da operação
por César Ferro em
A digitalização do varejo farmacêutico entra em uma nova fase em 2026. Com a inteligência artificial (IA) cada vez mais consolidada na rotina de pessoas e empresas, ela deixa de ser uma tendência para ser encarada como uma necessidade entre as empresas que buscam ganhar escala.
Nesse contexto, investir em ferramentas potencializadas por essa inovação torna-se cada vez mais estratégico para o gestor de farmácia. Mas quais setores são mais favorecidos? “Costumo elencar quatro pilares da operação da farmácia que tendem a ser mais impactados pela IA – estoque, rentabilidade, precificação e comunicação”, avalia Rodrigo Moraes, líder técnico da área de dados do Cosmos Pro, divisão de negócios da Procfit.
Por onde começar a implantação da inteligência artificial?
No que se refere à prioridade, o especialista aponta a gestão de estoque como principal foco. “Essa atividade representa o patrimônio da farmácia, garante a permanência do cliente na loja e sustenta a operação”, explica. O uso da tecnologia permite substituir decisões intuitivas por análises baseadas em dados. A prática possibilita maior assertividade nas tarefas cotidianas.
Tudo começa com a estrutura de dados
Para que a IA gere valor de fato, é preciso estruturar corretamente o banco de dados (data lake). O processo passa pela centralização das informações oriundas de diferentes sistemas – como PDVs e CRMs – em um único ambiente. A partir dessa organização, a tecnologia identifica padrões e aponta ações necessárias. Em um segundo momento, operações mais estruturadas podem adotar a automatização das decisões.
“Com dados qualificados, é possível não só identificar problemas e sugerir ações, mas também executar ajustes de forma automática, como determinar a transferência de um produto ou rever preços”, afirma o executivo.
IA pode ser seu novo “estagiário”
Apesar dos avanços, Moraes alerta que adotar a inteligência artificial exige maturidade e governança. Para exemplificar o processo de treinamento da tecnologia, ele faz uma analogia. “Essas ferramentas devem ser encaradas como um colaborador em onboarding, como um estagiário em sua primeira experiência profissional. É preciso treiná-las com responsabilidade”, alerta.
Caso os dados inseridos não estejam filtrados ou sejam enviesados, os outputs – ou seja, as respostas e sugestões – não serão adequados. O líder faz ainda uma ressalva: se a informação inicial estiver errada, a responsabilidade pelo equívoco no resultado final é humana, e não da máquina.
Solução pode ser democrática e especializada
Plataformas low code, entre as quais o Cosmos Pro AI Builder, permitem que pequenas e médias farmácias adotem soluções antes restritas às grandes redes. Essa ferramenta possibilita a criação de dashboards e análises com comandos simples, sem a necessidade de equipes internas de desenvolvimento.
“A ideia é assegurar que o gestor construa soluções próprias de acordo com a realidade do seu negócio, que geram insights muito mais aderentes ao contexto da operação. São soluções complementares às ferramentas generalistas, mas com uma diferença fundamental: estão conectadas ao contexto, aos dados e aos processos reais da operação farmacêutica”, observa.