Prescrições digitais de GLP-1 avançam 304,9% em um ano
Canetas emagrecedoras já representam em torno de 5% do faturamento do canal farma
por Gabriel Noronha em
O volume de prescrições digitais de medicamentos análogos de GLP-1, as conhecidas canetas emagrecedoras, aumentou 304,9% em 2025, na comparação com o ano anterior. É o que aponta o levantamento divulgado pela Memed.
O indicador representa o terceiro ano consecutivo de crescimento. Em 2023, o avanço havia sido de 17,7%, enquanto em 2024 a alta foi de 29,8%. Os dados fazem parte do Panorama da Prescrição Digital 2026, que também estimou em R$ 3,8 bilhões por trimestre a movimentação da categoria no varejo farmacêutico, equivalente a mais de 5% do faturamento do mercado farmacêutico.
“A expansão da telemedicina durante a pandemia acelerou esse processo e transformou uma tecnologia ainda em fase de experimentação em uma realidade cada vez mais presente na jornada de cuidado”, explica César Bentim, conselheiro consultivo da Riverdata.

Marcas disputam liderança das prescrições digitais de canetas emagrecedoras
No ambiente acompanhado pela Memed, a dinâmica entre as marcas sofreu uma reviravolta em menos de três anos. O Ozempic, que detinha o domínio absoluto do canal em 2022 e 2023 com 66% e 65% das emissões, respectivamente, registrou uma redução acentuada para 9% em 2025 e atingiu 4% das prescrições digitais no primeiro semestre de 2026.
Em contrapartida, a introdução da tirzepatida reposicionou a liderança do segmento. O Mounjaro conquistou 44% das emissões em 2025, seu ano de estreia, e alcançou a marca de 58% de participação no primeiro semestre de 2026.
Já o Wegovy atingiu um pico de 32% em 2025 e consolidou um market share de 20% no ano seguinte, enquanto o Rybelsus respondeu por 7% das prescrições digitais em 2026. Lançado em junho de 2026, o Ozivy já acumula 1% das prescrições da categoria em seu primeiro mês no mercado.

Os dados de prescrição acompanham a evolução da tirzepatida no varejo farmacêutico. A participação da molécula passou de 51,1% em agosto de 2025 para 69,2% em agosto de 2026, enquanto a semaglutida respondeu por 30,3% no último período.
Restrições reduziram o crescimento da categoria
O avanço acelerado da demanda ocorreu em paralelo ao enrijecimento da fiscalização sanitária. Em junho de 2025, a Anvisa passou a exigir a retenção de receita obrigatória e o registro das dispensações no SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados) para os análogos de GLP-1, fixando a validade das prescrições em 90 dias.
Ao mesmo tempo, o órgão regulador reforçou restrições à manipulação de moléculas biotecnológicas como a semaglutida, inviabilizando sua produção em farmácias magistrais em função das exigências de eficácia e segurança.
“Se, por um lado, a prescrição digital amplia a segurança, a conveniência e o acesso para o paciente, por outro cria o desafio de integrar e utilizar de forma inteligente as informações geradas ao longo desse processo, sempre com responsabilidade e respeito à privacidade”, complementa o executivo.
Memed revela demografia dos consumidores
Com os dados compilados em sua plataforma, a Memed ainda criou um perfil demográfico da população que utiliza as prescrições digitais para tratamentos com canetas emagrecedoras.
“A transformação da saúde brasileira, potencializada pela digitalização das prescrições, vem produzindo uma quantidade inédita de informações capazes de revelar padrões assistenciais, tendências epidemiológicas, comportamento terapêutico e oportunidades de melhoria no cuidado”, afirma Fábio Tabalipa, diretor médico e head de dados da Memed.
Segundo a companhia, as mulheres respondem por 69,33% das prescrições digitais da categoria, volume 2,3 vezes superior ao registrado entre os homens. Entre as faixas etárias, adultos de 30 a 49 anos representam 54% das prescrições.
A pesquisa também analisou indicadores relacionados ao universo do prescritor. Embora a endocrinologia e a metabologia concentrem 77,58% das prescrições acumuladas, as áreas de cardiologia (6,92%), clínica geral (5,88%), ginecologia (5,30%) e psiquiatria (4,32%) também têm ganhado espaço.