Pesquisa aponta que as mulheres representam 26% dos cargos de CEO
A participação feminina representa, em média, 51% dos colaboradores da indústria farmacêutica no Brasil, segundo a pesquisa Presença e Liderança Feminina 2026 na Indústria Farmacêutica, realizada pela Central de Pesquisas do Sindusfarma, a pedidoda LeaderShe. Os resultados foram apresentados durante o SheTalks 2026.
O levantamento ouviu 95 empresas, de um universo de 137, que correspondem a 72% do mercado em faturamento, segundo a Auditoria IQVIA – Mercado Retail. As respostas foram coletadas entre 23 de março e 29 de maio de 2026.
O estudo analisou ainda a presença feminina em diferentes níveis de liderança, áreas de atuação, contratações e promoções, além de objetivos corporativos, indicadores, benefícios e programas voltados à equidade de gênero.
“Chegamos a um momento em que podemos celebrar uma presença feminina significativa na indústria farmacêutica. O próximo passo é garantir que esse avanço continue até os espaços máximos de decisão. Não basta ter mulheres nas organizações: precisamos criar condições para que elas avancem, permaneçam, sejam ouvidas e exerçam plenamente sua liderança”, afirma Heloisa Simão,Chairwoman da LeaderShe e Conselheira de Administração.
Participação feminina varia conforme o porte
A proporção média de mulheres varia de acordo com o número de colaboradores. Nas empresas com até 100 funcionários, elas representam 57% do quadro. O índice é de 56% nas companhias com 101 a 500 colaboradores, 51% entre aquelas com 501 a 1.000 e também 51% nas empresas de 1.001 a 5.000 funcionários.
Nas organizações com mais de 5.000 colaboradores, a participação feminina é de 49%. O levantamento informa que 8% das empresas não forneceram o dado.
Participação feminina por porte da empresa

Fonte: Auditoria IQVIA – Mercado Retail
Mulheres ocupam 44% dos cargos mais altos
Em cargos de liderança, as mulheres representam 49% na coordenação e supervisão, 45% na gerência e 44% na diretoria, presidência e vice-presidência.
Entre os grupos específicos analisados, as mulheres com mais de 50 anos correspondem a 11% do total feminino e a 14% das profissionais em cargos de liderança. As mulheres negras representam 27% do total e 13% das posições de liderança ocupadas por mulheres.
Entre as mulheres com deficiência (PcDs), a participação é de 3% do total feminino e de 1% entre as profissionais em cargos de liderança.
Os números reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre raça, etarismo, deficiência e outras barreiras que atravessam o tema. “Quando falamos em mulheres, não estamos falando de um grupo homogêneo. Os dados mostram que raça, idade e deficiência ainda interferem nas oportunidades e nas trajetórias profissionais. A evolução da agenda de equidade passa por entender quem está conseguindo avançar, quem ainda encontra mais barreiras e o que as empresas podem fazer concretamente para mudar esse cenário”, afirma Laurena Magnoni, Co-Chair da LeaderShe.

RH concentra maior presença feminina
O levantamento mapeou a participação feminina em diferentes áreas das empresas. Recursos Humanos lidera, com 75%, seguido por Compliance (66%) e Jurídico (60%).
Na sequência aparecem Unidades de Negócio (55%), Marketing (52%), Assuntos Médicos (52%) e Comunicação (50%). Operações registra 35%, enquanto Relações Governamentais e Acesso apresentam 34% cada.
Na liderança máxima, as mulheres representam 26% dos cargos de CEO/presidência. O percentual é de 22% no Financeiro, 22% em Tecnologia e 20% em Vendas.
Contratações e promoções
Nos últimos 12 meses, as mulheres representaram 49% das contratações para cargos de coordenação e supervisão, 48% para gerência e 51% para diretoria, presidência e vice-presidência. O estudo informa que 19% das empresas não forneceram o dado.
Entre as 93 empresas consideradas nessa etapa, 30% possuem objetivos ou metas específicas relacionados à presença de mulheres na organização e ao desenvolvimento de lideranças femininas, alta de 4% em relação a 2025.
Entre os objetivos estão garantir um percentual mínimo de mulheres em cargos de liderança (20%), conduzir programas de retenção de talentos considerando a diversidade de gêneros (19%) e dedicar orçamento a iniciativas de equidade de gênero e crescimento da liderança feminina (15%). Também aparecem o aumento da representatividade feminina em período definido (13%), um percentual mínimo de mulheres em novas contratações (9%) e mecanismos formais relacionados à cultura e à educação (6%).
