Queda de preço acelera venda de canetas emagrecedoras
GLP-1 já representa até 12% do faturamento de grandes redes
por Gabriel Noronha em
e atualizado em
A queda dos preços das canetas emagrecedoras vem acompanhada de aumento no volume vendido pelas grandes redes de farmácias. No segundo trimestre de 2026, a Pague Menos registrou redução de 50% no preço médio da semaglutida e alta de 155% nas unidades comercializadas. As informações são do Valor Econômico.
Na RD Saúde, o preço médio da semaglutida recuou 22% no período, enquanto o volume vendido cresceu quase 30%. Na Pague Menos, as doses mais altas de tirzepatida tiveram redução de 23% no preço médio e aumento de 60% no volume.
“Na molécula da semaglutida, a comparação entre julho e o primeiro trimestre mostrou uma queda de 50% no preço médio e um aumento de 155% no volume. Na tirzepatida (Mounjaro), as doses mais altas tiveram redução de 23% no preço médio e alta de 60% no volume. Em ambas, o crescimento do volume mais do que compensou a redução do preço médio”, revela Walace Siffert, vice-presidente comercial da Pague Menos.
GLP-1 ganha espaço na receita das farmácias
As canetas emagrecedoras já respondem por 8,2% das vendas da Pague Menos. Na Panvel, a categoria representa 11,3% da receita bruta do varejo, alta de 63,6% em relação a 2025. Na RD Saúde, a participação chega a cerca de 12% do faturamento.
Entre 70% e 84% dos consumidores que compraram genéricos ou similares no último trimestre eram novos na categoria, segundo as redes. Na Pague Menos, 84% dos clientes que iniciaram o uso de Poviztra e Ozivy nunca haviam comprado esses produtos na companhia.
“Estamos vendo o destravamento de uma demanda reprimida por preço”, afirma Jonas Marques, presidente da Pague Menos.
Segundo Vinicius Strano, diretor executivo e analista-chefe de research do UBS BB, a redução dos preços não representa uma ressaca. “No caso da semaglutida na Raia, a queda superior a 20% no preço foi totalmente compensada pelo volume (+28%), mantendo a receita nominal estável e provando a forte elasticidade do produto.”
O avanço dos GLP-1, porém, também pressionou as margens das redes. A RD Saúde atribuiu 0,1 ponto percentual de queda na margem bruta à categoria. Panvel e Pague Menos também registraram impacto sobre a rentabilidade.
O UBS BB estima que o mercado formal de GLP-1 movimente entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,5 bilhão por mês e projeta faturamento de R$ 15 bilhões a R$ 17 bilhões em 2026. Para 2027, a expectativa é de 2,5 milhões de caixas vendidas por mês, ante 780 mil em 2025.