RD Saúde amplia estratégia além dos GLP-1
Estratégia da rede combina expansão da rede física, avanço digital e crescimento da categoria de GLP-1
por Adriana Bruno em
A RD Saúde vem estruturando sua estratégia de crescimento para além da expansão dos medicamentos GLP-1. Essa é uma das principais conclusões de relatório do BTG Pactual. O documento destaca quatro frentes – avanço dos GLP-1, recuperação de categorias de higiene e cuidados pessoais, integração entre lojas físicas e canais digitais e continuidade da expansão da rede.
“Os medicamentos para obesidade e diabetes seguem como importante vetor de crescimento, mas a redução de preços e o aumento da concorrência podem ampliar o acesso à categoria”, diz Luiz Guanais, analista do BTG.
Dados da própria RD indicam que, entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, o índice de preço médio do semaglutida caiu de 100 para 78, enquanto a receita bruta avançou de 100 para 108.
O banco observa ainda que o mercado brasileiro permanece com baixa penetração. “O país consome cerca de 1 milhão de unidades de GLP-1 por mês, enquanto 95,9 milhões de adultos são classificados como pessoas com sobrepeso ou obesidade”, pontua Guanais. A RD, por sua vez, atende aproximadamente 1 milhão de clientes de GLP-1 mensalmente.
Digital ganha peso na operação
Outro destaque é o avanço da estratégia omnicanal. O digital já representa 31% das vendas do varejo da companhia e cresceu 52% na comparação anual no segundo trimestre de 2026. Do total das receitas digitais, 94% são geradas por canais próprios e 83% passam pelo aplicativo.
O comportamento dos clientes também reforça a integração entre os canais. Consumidores omnicanal realizam, em média, 13 compras por ano, contra 7,3 entre aqueles que utilizam apenas as lojas físicas. A participação desses consumidores na receita passou de 27% no segundo trimestre de 2024 para 41% no mesmo período de 2026.
Nesse cenário, as lojas físicas passam a exercer funções que vão além da venda. A rede de aproximadamente 3,7 mil unidades é utilizada como estrutura de logística, aquisição e relacionamento com clientes, além de apoiar as entregas rápidas e o modelo de retirada em loja. O relatório aponta que 96% dos pedidos digitais são entregues em até 60 minutos.
Loja física assume novas funções
A estratégia também envolve a transformação do espaço físico. A Raia Conceito, inaugurada em São Paulo, é um exemplo desse movimento. Mais de 65% da área da unidade é dedicada à categoria de beleza, com cerca de 2,5 mil produtos e aproximadamente 50 novas marcas. “O consumidor de beleza está mais informado, pesquisa, compara e busca orientação especializada. Criamos um ambiente que integra conveniência, experimentação e confiança para acompanhar essa evolução do mercado”, afirma Renato Raduan, CEO da RD Saúde.
A expectativa da companhia é alcançar um tíquete médio entre duas e três vezes superior ao de uma unidade convencional.
A aposta acompanha a relevância de beleza e cuidados pessoais, que representam aproximadamente 25% da receita do varejo da rede.
Expansão ainda tem espaço
O relatório também aponta espaço para continuidade da expansão física da companhia. Embora a RD Saúde tenha participação próxima de 20% do mercado nacional, o BTG destaca diferenças de produtividade entre os principais grupos do varejo farmacêutico.
As vendas médias por farmácia da RD foram consideradas como índice 100, ante 70 para as quatro redes seguintes associadas à Abrafarma e 56 para outras redes. Farmácias independentes representam aproximadamente 16% do mercado, enquanto associativistas e franquias respondem por outros 25%.
Nesse contexto, a companhia mantém a previsão de abertura de 330 a 350 lojas em 2026. Raduan destaca a importância de segurança, capilaridade e conveniência no setor. “A companhia segue otimista com a expansão de suas lojas, canais digitais e serviços de cuidado”, pontua.
Margens e novas frentes
A maior participação dos GLP-1 ainda representa pressão de curto prazo sobre a margem bruta mas há sinais de evolução na rentabilidade operacional, além de iniciativas que podem ampliar as fontes de receita da companhia.
Entre elas estão marcas próprias, serviços farmacêuticos e ações de fidelização e retail media. As marcas próprias apresentam margem bruta cerca de 15% superior à de marcas não exclusivas comercializadas no modelo de autosserviço.
Para 2026, o BTG estima receita de R$ 45,5 bilhões para a RD Saúde, ante R$ 41,3 bilhões em 2025. Para 2027, a projeção é de R$ 52,3 bilhões. O EBITDA estimado passa de R$ 3,3 bilhões em 2025 para R$ 3,9 bilhões em 2026 e R$ 4,5 bilhões em 2027.