Saúde investe R$ 60 mi em centro para pesquisa de IFAs
Projeto reúne Embrapii e CNPEM, mas não há previsões para início do funcionamento
por César Ferro em e atualizado em
Como parte da iniciativa para reduzir a dependência de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), o governo lançou, na última sexta-feira, dia 3, um centro de pesquisa dedicado ao desenvolvimento dessas matérias-primas. As informações são do G1.
O Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR) será instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). Os recursos, de R$ 60 milhões, vêm da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e do Ministério da Saúde.
O montante cobrirá os quatro primeiros anos de funcionamento do centro e será usado na implantação da infraestrutura e no desenvolvimento das pesquisas iniciais. “Nossa expectativa é captar novos recursos ao longo da execução do programa, com participação da indústria farmacêutica e de outras fontes de financiamento”, explica Alvaro Prata, presidente da Emprapii.
A ideia é que a unidade identifique, com base em estudos sobre as plantas, animais e microrganismos brasileiros, moléculas com potencial para virar medicamentos. As duas primeiras áreas de pesquisa serão oncologia e infecções emergentes.
Segundo a coordenadora do centro, Daniela Trivella, dois projetos já estão em andamento: um investiga uma molécula para estimular o sistema imunológico contra tumores e outro, um tratamento para sepse.
Um detalhe que chamou a atenção é que, apesar do anúncio, não foram divulgados a previsão de quando as pesquisas iniciarão, tampouco o impacto esperado. Foi informado, por outro lado, que os quatro primeiros anos serão dedicados às etapas iniciais de desenvolvimento de moléculas.
De acordo com o executivo, o objetivo do centro é atuar nas etapas anteriores ao desenvolvimento industrial, preparando moléculas e processos até um estágio em que possam ser assumidos pela indústria farmacêutica. “Por isso, ainda não há estimativa de quando as pesquisas poderão resultar em produtos disponíveis no mercado nem qual será o impacto concreto na redução da dependência brasileira”, argumenta.
Preferência é que patentes fiquem no Brasil
O presidente também explicou que o plano é que as moléculas descobertas sejam licenciadas por empresas brasileiras. “Todo o processo vai seguir a legislação sobre acesso ao patrimônio genético e repartição de benefícios, garantindo que comunidades tradicionais e pesquisadores envolvidos recebam a participação prevista em lei”, afirma.
Atualmente, até 95% dos IFAs são importados
A dependência de matéria-prima importada é um problema relevante e antigo no país. Estima-se que mais de 90% dos IFAs consumidos pela indústria farmacêutica nacional vêm do exterior e, em alguns segmentos, essa dependência chega a 95%, de acordo com a Abiquifi.