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UFPR lança campanha de doações para desenvolver vacina contra a covid-19

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A Universidade Federal do Paraná (UFPR) lançou neste mês uma campanha de arrecadação de doações para viabilizar uma vacina contra a covid-19. Com recursos escassos, a pesquisa precisará de R$76 milhões em doações para seguir o cronograma estabelecido e bancar a finalização da atual fase pré-clínica, as três fases clínicas – que envolvem testes em humanos -, as despesas administrativas e a estrutura completa de uma micro fábrica.

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As doações podem ser feitas por pessoas físicas e jurídicas e em qualquer valor por meio de depósito, chave pix ou transferência bancária. Todas as informações da campanha e a transparência de alocação dos valores ficam disponíveis no site vacina.ufpr.br.

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Com insumos nacionais e com baixo custo de produção, a pesquisa da vacina da UFPR é desenvolvida desde junho de 2020 e deve terminar a fase pré-clínica nos próximos meses. Depois disso, é preciso solicitar a aprovação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a realização de testes em humanos, a chamada fase clínica, que deve ser concluída até o final de 2022.

Na corrida contra o tempo para desenvolver o imunizante, serão necessários mais recursos, além de R$1,265 milhão já obtido por meio da Rede Vírus, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), recursos próprios da universidade e do governo do Paraná.

‘Precisamos ter a estrutura dessa micro fábrica para a produção das doses, as instalações precisam já estar prontas para o início da fase clínica. Os equipamentos para essas salas têm um custo altíssimo, por isso precisamos do investimento agora’, explica Helton José Alves, superintendente de parcerias e inovação da UFPR.

Segundo o líder da equipe de pesquisadores, Emanuel Maltempi de Souza, a micro fábrica é necessária para produzir a vacina em boas práticas de fabricação, seguindo a mais estrita regulamentação de produção de medicamentos injetáveis. Devem ser produzidas de 50 a 100 mil doses no local.

O laboratório será também um legado para outras pesquisas: ‘No momento temos vários projetos de pesquisa com potencial inovador enorme, mas que morrem na bancada por falta de estrutura. Esse é um grande obstáculo que gostaríamos de vencer com esse programa’, diz Souza.

Toda a arrecadação será destinada ao Programa de Desenvolvimento de Imunizantes UFPR, com duração prevista para os próximos cinco anos. Os recursos doados serão depositados em conta exclusiva para o projeto da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Paraná (Funpar), para que possam ser rapidamente captados e colocados à disposição. O superintendente informa que utilizar uma conta da UFPR dificultaria o processo, já que o recurso precisa ser usado dentro de um ano, além da lentidão dos processos de licitação e um limite orçamentário muito pequeno.

Até agora, houve indicativos de investimentos pela bancada paranaense de deputados federais, que pretende alocar uma emenda impositiva de R$10 milhões para quando a pesquisa estiver já na fase clínica. O Tribunal de Contas do Paraná também mostrou o interesse em realizar uma doação de cerca de R$18 milhões no final da fase pré-clínica. Alves conta que o projeto ainda foi apresentado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e que empresas estão em contato para possíveis doações.

Para o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, a universidade está buscando as condições para realizar a sua missão na sociedade. ‘Temos uma incerteza de como ficará o orçamento para o ano que vem, quando começaremos as fases clínicas. Como estamos tratando de algo muito sensível e que demanda urgência, estamos movendo todas as iniciativas possíveis para a pesquisa não ser interrompida’, declarou o reitor.

Ainda que a campanha seja uma das formas propostas de arrecadar recursos para a pesquisa, os envolvidos entendem que o País se encontra numa situação complicada economicamente. Para Souza, o mais importante já foi conquistado, que é o reconhecimento do público de que a ciência e a universidade são importantes para um país melhor.

Outras universidades brasileiras que estão desenvolvendo vacinas contra a covid-19 também precisaram buscar recursos de formas alternativas. Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) contou com o apoio da prefeitura de Belo Horizonte, num repasse de R$30 milhões. Já a Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) recebeu verba do fundo internacional Fast Grants, que segundo a instituição é suficiente até o final dos estudos pré-clínicos. Ainda não há estimativa de financiamento necessário para as próximas fases.

Por outro lado, a vacina Versamune, desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, conta com financiamento unicamente do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e da própria empresa Farmacore, responsável pela pesquisa e desenvolvimento.

No dia 11 de junho, o presidente Jair Bolsonaro sancionou um projeto aprovado pelo Congresso que libera o crédito suplementar de R$ 415 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológicopara financiar testes clínicos de vacinas brasileiras contra a covid. Até então, o valor estava bloqueado pelo governo federal. O fundo é vinculado ao MCTI e é o principal instrumento de financiamento a pesquisas científicas no País.

Como funciona a vacina da UFPR?

Até o momento, os resultados da vacina da UFPR são animadores, conta o pesquisador. A vacina estimula a produção de anticorpos de forma semelhante ou até mais elevada do que outros imunizantes, segundo a equipe de cientistas responsável pelo projeto.

A tecnologia desenvolvida consiste em nanopartículas de um polímero biodegradável associadas à proteína viral Spike, que é responsável pela entrada do vírus nas nossas células. Essa configuração não precisa utilizar o vírus inteiro nem adjuvante na solução, já que o biopolímero tem esse efeito. Esse é o diferencial dessa vacina, o polímero é biocompatível e biodegradável, não provoca efeitos tóxicos. Assim, a resposta imunológica é apenas contra a proteína do vírus.

Segundo o líder da pesquisa, a tecnologia é relativamente simples de ser reproduzida por laboratórios, além de ter custo baixo, com estimativa de R$5 a R$10 por dose. No futuro, a equipe também estuda a possibilidade de facilitar o transporte da vacina na forma em pó, o que aumentaria ainda mais a estabilidade da solução. Souza explica que a estabilidade da vacina já é muito boa e que pode ser mantida em temperatura de geladeira.

Fonte: MSN Brasil

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