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Vacinas produzidas pela UFMG entram na fase de testes em animais

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Desde que o novo coronavírus se espalhou pelo mundo, ainda no início de 2020, pesquisadores mineiros já estavam na corrida por respostas capazes de frear a pandemia. Após quase um ano, os primeiros resultados são promissores, mas, para que os imunizantes finalmente cheguem à população, faltam investimentos e desburocratização dos processos, dizem os pesquisadores.

Veja também: Coronavírus: a estratégia do Reino Unido para ‘sufocar’ variante perigosa da covid-19

Um dos estudos, que utiliza o vírus da influenza para produção da vacina, é coordenado pela equipe do pesquisador da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Universidade Federal de Minas Gerais Ricardo Gazinelli, e conduzido em parceria com a Universidade do Estado de São Paulo (USP).

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De acordo com Gazzinelli, o modelo adotado é o mesmo da vacina contra a febre amarela, em que é usado um vírus vivo atenuado. Isso quer dizer que chega a infectar as células, mas induz a resposta do organismo, sem causar a doença.

Através de engenharia genética, é incluído um gene do coronavírus no vírus da influenza. Este gene codifica uma proteína chamada spike, que significa espinho, em português, e é responsável pela aparência cheia de espinhos do coronavírus.

Atualmente, a vacina está sendo aplicada para testar a proteção em camundongos e os resultados finais sairão no final de fevereiro.

“Os estudos iniciais já apontam que a vacina induz respostas de linfócitos T muito fortes e produção de anticorpos também”, disse o pesquisador.

“Os estudos iniciais já apontam que a vacina induz respostas de linfócitos T muito fortes e produção de anticorpos também”, disse o pesquisador.

Após os testes em camundongos, será a hora de fazer nos humanos, em três fases. A primeira checa a segurança da vacina. A segunda, chamada de imunogenecidade, confere se a vacina produz resposta imunológica. E a última testa a eficácia, ou seja, se o imunizante de fato protege em larga escala.

“Esta terceira fase, que checa a eficácia, é uma fase muito cara, custa centenas de milhões de reais. Aqui, como vivemos do financiamento do estado, o governo precisa tomar uma decisão neste sentido. Parece que há um movimento para o governo federal apoiar produção de vacinas nacionalmente, o que será muito bom. Depender do exterior fica muito complicado”, disse.

“Esta terceira fase, que checa a eficácia, é uma fase muito cara, custa centenas de milhões de reais. Aqui, como vivemos do financiamento do estado, o governo precisa tomar uma decisão neste sentido. Parece que há um movimento para o governo federal apoiar produção de vacinas nacionalmente, o que será muito bom. Depender do exterior fica muito complicado”, disse.

Gazzinelli ponderou, no entanto, que o fato de o vírus apresentar variantes, como a que surgiu em Manaus, pode comprometer, em certo grau, a eficácia das vacinas.

“Existe a possibilidade de que as variantes possam diminuir a eficácia das vacinas, já que aumentou a transmissibilidade. Mas ainda não há nada comprovado. Neste caso, há duas alternativas: ou readequar a vacina para os variantes ou aumentar a frequência de doses”.

BCG contra o coronavírus

Outra pesquisa mineira, que começa agora a fase de testes em animais, tem como base a BCG, vacina aplicada em larga escala para imunização contra a tuberculose. O estudo é coordenado pelo professor Sérgio Costa Oliveira, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas (UFMG), e realizado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Instituto Butantan.

Esta primeira fase da pesquisa conta com recursos aprovados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Mas, para testes em humanos, serão necessários mais recursos, o que não deve acontecer antes do segundo semestre deste ano, segundo Sérgio Costa.

Para o pesquisador, além de recursos, a dificuldade de importação de insumos e burocracia são outros entraves no processo de produção de uma vacina nacional. “O entrave inicial é tempo e a importação de insumos. O país, infelizmente, carece de infraestrutura, de agilidade. Vacina pronta já demora para importar, imagina para desenvolver aqui”, disse.

De acordo com Sérgio Costa, a intenção é fazer com que a bactéria usada na vacina contra tuberculose produza também a proteína do vírus SARS-CoV-2. Desta forma, a vacina vai proteger contra a tuberculose e contra a Covid-19. Com a bactéria inoculada no corpo através da vacina, o organismo deverá produzir os anticorpos contra o coronavírus.

“A gente já trabalhava com BCG, pegou esta expertise e aplicou nesta ideia. Cada um utiliza sua expertise para buscar solução que atinge o mundo”, disse.

“A gente já trabalhava com BCG, pegou esta expertise e aplicou nesta ideia. Cada um utiliza sua expertise para buscar solução que atinge o mundo”, disse.

Sérgio acredita que a experiência com a BCG, assim como com outros imunizantes, pode ser útil no combate a outras infecções e até em futuras epidemias.

“Por isso que é importante enfatizar que os governos precisam investir na ciência, porque nós vamos ter parque científico brasileiro para ficar pronto. Senão fica de joelho dependendo de a China mandar material para gente“.

Fonte: G1

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