Venda de medicamentos em supermercados frustra setor
Lei não atende expectativa do varejo alimentar
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A tão aguardada lei que permitiu a venda de medicamentos em supermercados, sancionada pelo presidente Lula no final de março, não tem gerado os efeitos esperados pelos players do varejo alimentar. As informações são do Diário do Comércio.
Embora muitos planejassem vender fármacos isentos de prescrição nas gôndolas tradicionais, o texto aprovado não abriu essa possibilidade. Desde sua efetivação, os supermercados passaram a comercializar remédios somente em espaços delimitados e exclusivos, com a presença obrigatória de um farmacêutico durante todo o tempo na loja.
“A lei, na verdade, não autoriza a venda de remédios nos supermercados, e sim uma rede de supermercados a ter uma farmácia dentro da loja”, afirma o advogado Marcos Levy.
Normas para venda de medicamentos em supermercados não agradaram
De acordo com a reportagem do Diário do Comércio, que conversou com representantes dos dois setores envolvidos, o texto aprovado não foi comemorado por nenhuma das partes, gerando dúvidas quanto à viabilidade de modelos de negócios e deixando ambos “meio perdidos”.
Para as grandes redes, pode ser mais vantajoso investir em unidades próprias. O Carrefour já opera o Carrefour Drogaria fora dos supermercados e agora pode levar o modelo para dentro das lojas.
Para os médios supermercados, a recomendação vai na direção de parcerias com redes de farmácias tradicionais, em um modelo de cessão de espaço, quase como uma sublocação.
Outro modelo que deve ganhar força é o de franquia. Em vez de abrir uma loja na rua ou em um shopping, o empreendedor fixa seu ponto dentro de um supermercado.
As lojas com áreas ociosas também podem estruturar espaços dedicados à saúde, com venda de remédios e prestação de serviços, como aferição de pressão arterial, para fidelizar os clientes.
Hélio Freddi Filho, diretor da rede Hirota, afirmou que a instalação de farmácias em supermercados, no atual cenário, é uma iniciativa “extremamente complexa”.
“É preciso ter isolamento nas paredes, um farmacêutico por loja, logística diferenciada para transporte. Se já temos dificuldade para repor a mão de obra, imagina de uma farmácia, que requer funcionários mais qualificados”, detalha.
“Se decidirmos por ter, provavelmente o caminho será por meio de parceria com uma grande rede”, pondera.