Venda de medicamentos para emagrecer dobra em um ano
Categoria de GLP-1 movimenta quase R$ 13,5 bilhões em 12 meses e já responde por mais de 5% do volume de negócios
por Leandro Luize em
Nada de dieta quando o assunto são os medicamentos à base de GLP-1. Novos números revelam que a categoria quebrou mais um recorde ao dobrar de tamanho em um ano. Nos últimos 12 meses até fevereiro de 2026, as vendas nas farmácias somaram R$ 13,49 bilhões ante R$ 6,47 bilhões no mesmo período anterior – um salto de 105,9%.
Em cinco anos, o crescimento composto chega a 50,2%. Os indicadores da Close-Up International consolidam essa classe terapêutica como a principal alavanca de expansão do varejo farmacêutico. A representatividade desse segmento no volume total de negócios chega a 5,4%, bem acima dos 2,9% registrados em fevereiro de 2025.
O mais recente intervalo de 12 meses avaliado pela consultoria, aliás, aponta como esse mercado se transformou. O faturamento correspondeu a 76% do montante gerado nos últimos quatro anos, conforme atesta o gráfico a seguir.
Quatro anos em um
(em bilhões de R$ no intervalo de 12 meses até fevereiro de cada ano)

O desempenho dos GLP-1 destoa do histórico de outras categorias no canal farma, tradicionalmente marcado por avanços mais moderados. “Dos 140 milhões de brasileiros na fase adulta, 68% estão obesos ou convivem com sobrepeso. Mas as doses vendidas atualmente atendem no máximo 1 milhão de pessoas, deixando aproximadamente 95 milhões de potenciais pacientes fora do mercado”, avalia o consultor Paulo Paiva.
O preço elevado restringe o acesso, mas essa realidade deve mudar radicalmente com a chegada de versões genéricas como o Olire, da EMS, a partir do fim da patente do Ozempic. “É uma categoria que pode atingir até R$ 1 trilhão no país se o custo recuar para patamares próximos a R$ 300”, argumenta Paiva.
Mike Doustdar, presidente-executivo da Novo Nordisk, acompanha esse raciocíono ao projetar que esse mercado ainda não 90% da populaçáo dos Estados Unidos. “É preciso expandir o mercado, especialmente se você trabalha em um negócio como o nosso. Nos EUA, há 110 milhões de pessoas com obesidade”, afirmou o lider da farmacêutica ao Financial Times.
Custo menor e margem maior?
A margem das farmácias também deve ser positivamente impactada com o aumento de opções. Segundo simulação de Fernando Ferreira, fundador da Retail Jedi, uma caneta de semaglutida de referência, com custo de fábrica de R$ 1.050 e preço de venda de R$ 1.270, gera margem de 17,3% e lucro bruto de R$ 219,92.
Com os genéricos disponíveis, o custo de aquisição cairia para R$ 682,55 e o preço ao consumidor ficaria em torno de R$ 950, elevando a margem para 28,2% e o lucro bruto para R$ 267,45. “Isso permite que as farmácias ganhem mais em reais, mesmo vendendo a preços menores, graças à redução do capital imobilizado e ao aumento do volume de vendas”, explica.
Enquanto o genérico não vem… alguém fatura
Enquanto a esperada democratização do acesso não sai da teoria, farmacêuticas como a Lilly seguem colhendo frutos. O laboratório norte-americano já fatura quase o dobro da Novo Nordisk no Brasil. Somente em janeiro de 2026, movimentou R$ 850 milhões com o Mounjaro. Sua concorrente faturou R$ 453,2 milhões.