Automedicação ganha força com influência digital
Divulgação de experiências pessoais nas redes preocupa entidades do setor
por Gabriel Noronha em
Um movimento liderado por influenciadores digitais, que compartilham diariamente suas experiências pessoais com tratamentos e fármacos, tem preocupado especialistas.
De acordo com o CFF, essa onda de divulgações e recomendações tem ampliado os índices de automedicação no país, especialmente nas categorias associadas à melhora da concentração, produtividade e emagrecimento.
Entre os medicamentos mais citados está o Venvanse, indicado para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Em vídeos e publicações, alguns influenciadores relatam supostos benefícios relacionados ao aumento do foco, rendimento nos estudos e desempenho profissional, criando a falsa percepção de que o medicamento pode ser utilizado por qualquer pessoa que deseje melhorar a produtividade.
Automedicação pode ser prejudicial à saúde
Esse caso é um dos principais exemplos dos possíveis malefícios à saúde do uso de fármacos sem acompanhamento médico. A lisdexanfetamina, princípio ativo do Venvanse, atua diretamente no sistema nervoso central e pode provocar efeitos adversos como insônia, ansiedade, irritabilidade, aumento da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos e risco de dependência.
Além dos danos à saúde, a divulgação de medicamentos por pessoas sem qualificação técnica contribui para a disseminação de informações sem respaldo científico.
O problema se agrava quando relatos individuais são apresentados como soluções universais, desconsiderando que cada paciente possui características clínicas específicas e que todo tratamento exige avaliação profissional.