Bancos descartam queda imediata nos preços das canetas emagrecedoras
Citi e JPMorgan avaliam impacto das novas aprovações da Anvisa
por Gabriel Noronha em
A aprovação de cinco novos medicamentos à base de semaglutida pela Anvisa não deve resultar em uma redução imediata dos preços das canetas emagecedoras no Brasil, avaliam Citi e JPMorgan.
De acordo com informações da Bloomberg Línea, os analistas apontam limitações regulatórias e comerciais como os principais opositores dessa queda acelerada dos valores praticados no mercado.
Segundo os bancos, os produtos foram registrados como medicamentos novos, o que impede a substituição automática pelo farmacêutico no momento da dispensação, diferentemente do que ocorre com os medicamentos genéricos.
Prescrições podem ditar preço das canetas emagrecedoras
Dessa forma, a concorrência dependerá principalmente da prescrição médica, da estratégia comercial dos fabricantes e das negociações com as redes de farmácias.
Para o JPMorgan, a ausência de intercambialidade automática preserva o valor das marcas e amplia o poder de negociação das grandes redes farmacêuticas, que podem obter melhores condições comerciais com o aumento do número de fornecedores.
Já o Citi avalia que o histórico recente da categoria não sustenta uma expansão relevante das margens do varejo. Embora reconheça o crescimento da demanda por medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, o banco considera que a evolução do mercado potencial e da rentabilidade ainda é limitada.
Segundo seus cálculos, a entrada no segmento de produtos à base de GLP-1 pode acrescentar entre 3% e 5% nas receitas da Hypera por exemplo, que conquistou a aprovação do Semavy, que será comercializado sob a marca Cosmed com previsão de chegada às farmácias em até dois meses.
“Queremos garantir que mais brasileiros possam iniciar e, principalmente, manter seu tratamento com um produto de altíssima qualidade a um preço justo”, afirmou Breno Oliveira, presidente da Hypera Pharma.
Na avaliação dos dois bancos, uma redução mais expressiva dos preços dependerá de mudanças regulatórias que permitam a intercambialidade entre as versões sintéticas da semaglutida. Enquanto isso, a tendência é de intensificação da concorrência entre fabricantes, sem impacto imediato sobre os valores pagos pelos pacientes.