Canetas emagrecedoras são prioridade mesmo em orçamentos apertados
Estudo aponta crescimento do uso de GLP-1 apesar da pressão econômica
por Gabriel Noronha em
O uso de canetas emagrecedoras continua em expansão no Brasil, mesmo entre consumidores que enfrentam restrições financeiras, de acordo com um levantamento da Worldpanel by Numerator. As informações são da Exame.
O estudo mostra que cerca de 6 milhões de brasileiros utilizam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, enquanto um em cada quatro lares que afirmam não ter sobra de dinheiro no fim do mês já recorre a esse tipo de tratamento.
Além disso, aponta também que o conhecimento sobre essas terapias segue em alta. Em 2026, 76% dos brasileiros afirmaram conhecer as canetas emagrecedoras, seis pontos percentuais acima do registrado em 2025. Na América Latina, os medicamentos já são conhecidos em 63 milhões de lares.
Canetas emagrecedoras alteram padrões de consumo
Segundo a pesquisa, o aumento da adesão ocorre em um contexto de maior pressão econômica. A parcela dos brasileiros que afirma não conseguir poupar ao fim do mês passou de 25%, em 2025, para 33% em 2026.
Ainda assim, parte dos consumidores mantém os gastos com GLP-1, reduzindo despesas em outras categorias de consumo. De acordo com o levantamento, quase dois em cada dez latino-americanos afirmam sacrificar parte do orçamento para custear o tratamento com as canetas emagrecedoras.
O estudo também identificou que a busca por autocuidado segue em crescimento na região. Em 2026, 38% dos latino-americanos foram classificados como ativos em relação à saúde, adotando práticas voltadas à alimentação e ao estilo de vida. Nesse cenário, aumentaram os gastos com medicamentos, especialmente multivitamínicos e agonistas de GLP-1, além de produtos de beleza.
Apesar desse movimento, a percepção sobre o próprio bem-estar físico recuou entre os brasileiros. O percentual de pessoas que consideram sua saúde física satisfatória caiu de 64% em 2024 para 55% em 2026, segundo a Worldpanel.
“O que temos é que essa estética está deixando de ser estética e está sendo cuidado. A gente tem vários exemplos de pessoas que já entendem que cuidar do cabelo já não é estética, é uma preocupação com a saúde”, avalia Kelsey Gomes, autora da pesquisa.