Guerra no Irã amplia risco de desabastecimento de medicamentos
Dependência global de insumos chineses e produção indiana aumenta vulnerabilidade do setor
por Gabriel Noronha em e atualizado em
O conflito entre Estados Unidos e Irã elevou o risco de uma nova crise global de desabastecimento de medicamentos. A alta do petróleo, o aumento dos custos de energia e as restrições em rotas estratégicas de transporte criam empecilhos para uma cadeia farmacêutica altamente dependente da produção de insumos na Chinae da fabricação de fármacos na Índia.
Segundo o Institute for Economics and Peace, os impactos econômicos da guerra já somam cerca de US$ 700 bilhões (R$ 3,63 trilhões). O cenário afeta diretamente o transporte de medicamentos e insumos farmacêuticos ativos (IFAs), especialmente diante das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez, importantes corredores do comércio internacional.
Possível desabastecimento de medicamentos expõe dependência do setor
A China responde por aproximadamente 44% da produção mundial de IFAs e concentra cerca de 70% das famílias de patentes farmacêuticas registradas globalmente, enquanto a Índia abastece mais de 200 países e acumula cerca de 20% do mercado global de medicamentos genéricos.
Para o Brasil, os reflexos são relevantes. O país importa cerca de 90% dos IFAs utilizados pela indústria farmacêutica nacional, o que amplia a exposição a oscilações logísticas e energéticas.
O cenário reforça o debate sobre a necessidade de ampliar a produção local de insumos e diversificar as fontes de abastecimento para reduzir a dependência externa de medicamentos estratégicos.