Mercado farmacêutico deve movimentar R$ 23,6 bi em junho
Projeção da IQVIA indica avanço de 10,3% no faturamento e de 3% em volume
por Adriana Bruno em
O mercado farmacêutico brasileiro deve encerrar junho com faturamento de R$ 23,6 bilhões, alta de 10,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo projeção da IQVIA elaborada com 22 dias processados. O volume comercializado deverá atingir 745,7 milhões de unidades, crescimento de 3% na comparação anual.
Os números mostram que o faturamento continua avançando em ritmo superior ao volume, refletindo a valorização do mix de produtos, o avanço de medicamentos de maior valor agregado e os reajustes de preços. A projeção apresenta índice de confiança de 95% e margem de erro de 4,44%.
Em entrevista exclusiva ao Panorama Farmacêutico, Fernando Ferreira, CEO da Retail Jedi, afirma que o descompasso entre faturamento e volume evidencia que o principal motor do crescimento está no preço médio dos produtos. “Se o consumidor estivesse comprando muito mais, o volume acompanharia o faturamento. Como isso não acontece, boa parte da expansão em reais vem da valorização do mix”, explica.
Segundo ele, o comportamento também aparece no segmento farmacêutico. O canal deverá faturar R$ 13,89 bilhões, alta de 11,2% sobre junho de 2025, enquanto o volume cresce apenas 2,7% na comparação anual e recua 0,4% frente a maio.
Efeito calendário influencia resultados
Para Ferreira, parte desse desempenho está ligada ao reajuste autorizado pela CMED em abril, que variou entre 1,13% e 3,81%, além do movimento de antecipação de compras realizado pelas farmácias. Segundo ele, muitos estabelecimentos reforçaram estoques antes da entrada em vigor dos novos preços e reduziram as reposições nos meses seguintes.
O executivo recomenda analisar três fatores ao avaliar o desempenho do período – o efeito calendário, a sazonalidade, especialmente nas categorias respiratórias, e o componente estrutural do mercado, marcado pelo avanço de medicamentos especializados e categorias de maior tíquete, como os análogos de GLP-1.
Genéricos lideram crescimento
Entre os segmentos farmacêuticos, os genéricos seguem apresentando o melhor desempenho em volume, com crescimento projetado de 4,4%, à frente dos medicamentos de referência (4,2%) e das marcas (0,7%).
Em faturamento, entretanto, os medicamentos de marca permanecem na liderança, com R$ 6,84 bilhões, seguidos pelos de referência (R$ 4,89 bilhões) e pelos genéricos (R$ 2,15 bilhões).
Os medicamentos éticos continuam puxando a receita do setor. A projeção indica faturamento de R$ 9,19 bilhões, alta de 11,4%, enquanto os medicamentos populares deverão movimentar R$ 4,70 bilhões, avanço de 10,8%.
Tratamentos para doenças crônicas impulsionam mercado
Entre as classes terapêuticas, os medicamentos para aparelho digestivo e metabolismo permanecem como principal destaque. A categoria responde por 27,1% do faturamento do mercado farmacêutico e deverá crescer 19,8% em relação a junho de 2025, impulsionada pelos tratamentos para obesidade, diabetes e doenças gastrointestinais.
Também seguem entre os maiores segmentos os medicamentos cardiovasculares e do sistema nervoso. Já a classe respiratória apresenta retração anual de 5,3% em volume, mas mostra recuperação frente a maio, refletindo a sazonalidade do inverno.
Outro destaque é a categoria de antineoplásicos e imunomoduladores, que deverá registrar crescimento de 14,1% em unidades, embora apresente queda de 11,6% no faturamento.
Nutrição lidera categorias de consumo
No mercado de consumo, todas as categorias projetam crescimento em volume. Nutrição lidera com alta de 8,3%, seguida por Cuidados ao Paciente (3,6%), MIPs (2,6%) e Cuidados Pessoais (1,2%).
Em faturamento, Cuidados ao Paciente apresenta o melhor desempenho, com avanço de 23%, reforçando a demanda por produtos voltados ao acompanhamento de tratamentos e ao autocuidado.
Se confirmadas, as projeções consolidarão mais um semestre de expansão para a indústria, distribuidores e varejo farmacêutico, sustentado pela evolução das terapias para doenças crônicas, pela valorização do mix e pelo avanço de categorias de maior valor agregado.