Importações de cannabis medicinal se mantém estáveis em maio
Ao todo a Anvisa autorizou 18.339 transações, em linha com as expectativas do ano
por Adriana Bruno em
As importações de produtos à base de cannabis medicinal seguem em ritmo consistente no Brasil. Em maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou 18.339 importações, volume que confirma a estabilidade observada ao longo de 2026.
Os dados fazem parte de um levantamento da Cannect elaborado com base em informações obtidas junto ao governo federal por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
O resultado de maio permanece alinhado aos números registrados nos demais meses do ano — janeiro (18.998 autorizações), fevereiro (18.965) e abril (18.616) —, indicando um mercado estabilizado após o pico observado em março.
Segundo Allan Paiotti, CEO da Cannect, os números refletem um cenário de continuidade dos tratamentos. “A estabilidade nas importações prova que os pacientes não estão apenas testando a cannabis medicinal, mas mantendo seus tratamentos rigorosamente em dia porque encontram qualidade de vida real. Estamos presenciando a consolidação da cannabis como uma alternativa terapêutica de longo prazo para o manejo de dores crônicas, ansiedade e outras patologias”, afirma.
Na avaliação do executivo, a manutenção do volume de autorizações também demonstra maior adesão ao acompanhamento clínico. “O grande desafio no tratamento de condições crônicas sempre foi evitar o abandono. Quando os dados governamentais mostram a manutenção desse alto volume de pedidos mês a mês, fica claro que a estruturação de ecossistemas de saúde e o suporte de equipes multidisciplinares estão fazendo a diferença para dar segurança ao paciente brasileiro em sua jornada”, acrescenta.
Mercado avança com mudanças regulatórias
O desempenho das importações ocorre em um momento de evolução do ambiente regulatório da cannabis medicinal no Brasil. Entre os principais avanços está a entrada em vigor da RDC nº 1.015/2026, que substitui a RDC nº 327/2019 e atualiza as regras para os produtos comercializados em farmácias.
Além disso, o setor acompanha a regulamentação do cultivo nacional para fins medicinais e científicos e a autorização para exportação de produtos acabados, insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e extratos de cannabis, medidas que ampliam a participação do país na cadeia global desse mercado.
Expansão das aplicações terapêuticas
O avanço regulatório acompanha o aumento da utilização da cannabis medicinal em diferentes especialidades. Além das indicações já consolidadas para suporte neurológico de pacientes com transtorno do espectro autista (TEA), doença de Parkinson e doença de Alzheimer, estudos recentes têm reforçado seu potencial no manejo de transtornos de ansiedade, depressão, insônia e dores crônicas, incluindo casos de fibromialgia.