Stanford encontra “Ozempic natural” com auxílio de IA
Substância age por via diferente da semaglutida e pode abrir nova frente no controle do apetite
por Gabriel Noronha em e atualizado em
Um algoritmo de inteligência artificial ajudou pesquisadores da Stanford Medicine a identificarem o “Ozempic natural” BRP, um peptídeo de 12 aminoácidos que apresentou efeito semelhante ao da semaglutida na redução do apetite e do peso corporal. As informações são do portal Época Negócios.
Os resultados foram registrados em estudos com camundongos e porcos, sem provocar náusea, aversão alimentar ou perda muscular significativa. A descoberta foi publicada na revista Nature e divulgada pela Stanford Medicine e pela ScienceDaily.
Segundo os pesquisadores, o BRP também apresentou melhora na tolerância à glicose e à insulina em animais obesos, além de redução da ingestão de alimentos em testes com minipigs.
IA analisou milhares de substâncias antes de encontrar o “Ozempic natural”
A pesquisa começou com o uso de um software batizado de Peptide Predictor, que analisou cerca de 20 mil genes codificadores de proteínas humanas para localizar possíveis peptídeos bioativos. O modelo reduziu a busca para 373 pró-hormônios e ajudou a identificar 2.683 peptídeos candidatos, entre eles o BRP.
Katrin Svensson, professora adjunta de patologia na universidade, afirmou que “o algoritmo foi essencial para nossa descoberta”. A pesquisadora ainda explicou que os receptores atingidos pela semaglutida estão presentes no cérebro, intestino, pâncreas e outros tecidos, enquanto o BRP parece atuar de forma mais concentrada no hipotálamo.
Os autores agora trabalham para identificar os receptores específicos do BRP e entender melhor seu mecanismo de ação, além de avaliar caminhos para eventual uso em humanos. Segundo a Stanford Medicine, a pesquisadora sênior já cofundou uma empresa que pretende avançar para estudos clínicos.
“Nada do que testamos anteriormente se comparou à capacidade da semaglutida de reduzir o apetite e o peso corporal. Estamos muito ansiosos para saber se ela é segura e eficaz em humanos”, complementa Katrin.