Anvisa aprova atogepanto da AbbVie para prevenção da enxaqueca
Terapia oral é indicada para adultos com mais de quatro dias de crises
por Gabriel Noronha em
A Anvisa aprovou o atogepanto, medicamento oral da AbbVie indicado para a prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro dias de crises por mês. A terapia atua sobre o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), molécula envolvida nos mecanismos associados à doença.
A decisão regulatória teve como base principalmente os estudos internacionais de fase 3 ADVANCE e PROGRESS, que avaliaram o medicamento em pacientes com enxaqueca episódica e crônica, respectivamente. As pesquisas analisaram a eficácia, a segurança e a tolerabilidade do tratamento.
De acordo com estimativas da farmacêutica, a enxaqueca afeta cerca de 31 milhões de pessoas no Brasil. A doença está entre as condições neurológicas associadas a maior incapacidade e pode interferir na rotina profissional, social e familiar dos pacientes.
Lançamento da AbbVie apresentou resultados positivos
No estudo ADVANCE, que envolveu 910 participantes com enxaqueca episódica, a administração diária de 60 mg do fármaco foi associada a uma redução média de 4,1 dias de enxaqueca por mês, ante 2,5 dias no grupo placebo. Uma redução de pelo menos 50% na frequência das crises foi observada em 59% dos pacientes tratados, contra 29% no grupo placebo.
Já o PROGRESS acompanhou 778 adultos com enxaqueca crônica durante 12 semanas. Entre os pacientes que receberam 60 mg do medicamento diariamente, a redução média foi de 6,9 dias mensais de enxaqueca, ante 5,1 dias no grupo placebo. O estudo também identificou melhora em indicadores relacionados ao impacto da doença e à qualidade de vida.
Nos dois estudos, os eventos adversos foram predominantemente leves ou moderados. Entre os efeitos registrados estavam náusea, constipação e fadiga. O CGRP é um neuropeptídeo envolvido na transmissão da dor e na ativação de vias relacionadas às crises.
O atogepanto bloqueia a interação do CGRP com seu receptor, atuando sobre um dos mecanismos associados à fisiopatologia da enxaqueca.
“A compreensão do papel do CGRP na fisiopatologia da enxaqueca possibilitou o desenvolvimento de medicamentos com mecanismos de ação específicos.
Essa evolução representa uma mudança importante no cuidado dos pacientes, permitindo ampliar as possibilidades terapêuticas e buscar abordagens mais individualizadas para diferentes perfis clínicos”, afirma Alexandre Venturi, neurologista e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia.
O medicamento já recebeu aprovação de autoridades regulatórias internacionais, incluindo o FDA, nos Estados Unidos, e a EMA, na União Europeia.