Receita por loja avança 11% e sustenta resultado da Pague Menos
Itaú BBA destaca controle de despesas, ganho de produtividade e nova dinâmica dos medicamentos GLP-1 como fatores estratégicos para a rede
por Adriana Bruno em
Eficiência operacional, produtividade e a evolução do mercado de GLP-1 sustentam a visão positiva do Itaú BBA para a Pague Menos, com base nos resultados da varejista referentes ao segundo trimestre deste ano. O banco avalia que o controle das despesas permitiu preservar a expansão da rentabilidade, com resultados acima das estimativas.
A receita bruta da rede no período cresceu 9,3% e chegou a R$ 4,34 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 15,4%, atingindo R$ 282 milhões. O lucro líquido somou R$ 74 milhões, alta de 22% na comparação anual.
Jonas Marques, CEO da Pague Menos, afirma que a rede alcançou receita e margem Ebitda históricas, ampliando o volume de atendimentos, atraindo novos clientes e aumentando a frequência de compras. “Ao mesmo tempo, evoluímos no controle e na diluição das despesas operacionais, o que também contribuiu para ampliar a geração de caixa”, observa.
Ainda segundo a Pague Menos, o resultado combinou crescimento de 4,3% no volume de atendimentos e alta de 4,8% no tíquete médio, para R$ 95,40. A companhia também continuou atraindo clientes. A base ativa alcançou 22,6 milhões, alta de 2,6% frente ao segundo trimestre do ano passado, enquanto a frequência de compras aumentou 0,9%.
Produtividade avança, mas Nordeste limita expansão
Na avaliação dos analistas do Itaú BBA, a evolução operacional continua sendo um dos principais diferenciais da companhia. A receita média mensal por loja alcançou aproximadamente R$ 823 mil, crescimento de 11,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
A empresa encerrou o segundo trimestre com 1.695 lojas, após oito inaugurações e um fechamento no período. A rede informa ainda que os PDVs monitorados pelo sistema de telemetria operacional registraram crescimento de 9,8% em volume de negócios. “O avanço da geração de caixa, aliado à redução da alavancagem, amplia nossa capacidade de investir em tecnologia, infraestrutura e expansão”, comenta Marques.
Apesar dessa evolução, o relatório do Itaú BBA atribui parte da desaceleração ao perfil geográfico da operação. “A forte exposição ao Nordeste continua influenciando o desempenho da rede, já que a região apresenta crescimento inferior ao observado em outras partes do país”, pontua Rodrigo Gastim, um dos responsáveis pela análise.
GLP-1 entra em nova etapa competitiva
A principal mudança estratégica apontada pelo banco está na evolução do mercado de medicamentos para obesidade e diabetes. Embora a categoria continue crescendo em ritmo acelerado, com alta anual de 67%, sua participação nas vendas da Pague Menos recuou de 9,1% para 8,2% no trimestre, marcando a primeira retração sequencial desde o início da expansão desses produtos.
“A capacidade de estimular a demanda por meio de preços mais baixos será determinante para o crescimento da categoria nos próximos trimestres”, adverte Gastim. O relatório também indica que as margens iniciais obtidas pelas farmácias com o Ozivy, da EMS, ficaram abaixo do esperado.
No entanto, a aprovação de cinco novos similares de semaglutida pela Anvisa e o lançamento previsto do Semavy, da Hypera, tendem a ampliar o poder de negociação das redes junto aos fabricantes. “As margens desses medicamentos, atualmente próximas de 20%, podem evoluir para 25% a 30% com o aumento da concorrência”, projeta Gastim.