Nova NR-1 coloca a experiência do colaborador no centro
Norma atualizada exige atenção formal aos riscos psicossociais
por César Ferro em
A nova atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrou em vigor em maio deste ano. A medida ampliou a responsabilidade das empresas sobre os riscos psicossociais de suas operações.
Apesar do adiamento do período de aplicação de multas – o que garantiu às empresas um respiro operacional –, a urgência de adaptação não diminui. A avaliação é de José Menezes, especialista da Cosmos Pro, unidade de negócios da Procfit.
Segundo Menezes, a nova versão da norma amplia o nível de exigência no tratamento dos riscos psicossociais, o que incentiva RH e liderança a revisarem continuamente processos relacionados à segurança do trabalho e à experiência do colaborador.
NR-1 dialoga com um dos grandes desafios do varejo farmacêutico
O executivo também aponta que adequar a operação a essa nova realidade pode ajudar o setor a enfrentar uma de suas principais dores – a alta rotatividade. Para o especialista, reverter esse cenário faz com que as farmácias deixem de depender exclusivamente da percepção subjetiva dos gestores sobre o clima organizacional.
A solução, em sua opinião, passa por estruturar canais de comunicação e mecanismos de escuta que permitam captar, de forma sistemática, a vivência da equipe. Essas informações devem servir como base para qualquer plano de ação na área.
O escritório fica muito longe do balcão
Outro ponto destacado é a distância entre a liderança e as pontas de atendimento, especialmente em operações mais robustas. Embora tecnologia e processos bem definidos sejam fundamentais, o executivo ressalta que é a liderança direta que faz a diferença.
“Os gerentes de loja e farmacêuticos atuam no dia a dia com os demais colaboradores, mediando conflitos e moldando a percepção da equipe. Nessa divisão de papéis, cabem ao RH e à gestão desenhar a metodologia e a estratégia corporativa, enquanto os líderes do PDV respondem pela execução cotidiana”, argumenta.
Tecnologia auxilia, não substitui
As tecnologias terão papel importante para escalar as estratégias desenhadas nos bastidores. Ferramentas como o Cosmos Pro podem ser utilizadas para criar trilhas de aprendizagem, viabilizar canais de comunicação seguros e implementar pesquisas de clima organizacional. “Esses elementos fornecerão a base de dados necessária para a construção de planos de ação assertivos”, afirma.
Para redes de menor porte, o desafio da fragmentação tende a ser ainda mais evidente, marcado pela descentralização de plataformas. Segundo Menezes, concentrar esses recursos em um único ecossistema permite estruturar a gestão de pessoas com mais consistência e qualidade.
O especialista também observa uma mudança de mentalidade em curso. Em sua visão, a métrica de performance baseada somente no resultado financeiro está dando lugar a uma abordagem que considera também o custo humano da operação e sua sustentabilidade no médio e longo prazo.
Nessa nova lógica, uma organização saudável é aquela capaz de identificar problemas, ouvir as pessoas e aprender com as situações vividas. “E com a tecnologia será possível escalar essa capacidade de gestão humana e de tomada de decisão”, comenta.