Coletores reduzem perdas e elevam produtividade
Integração com WMS aumenta a acuracidade do estoque, diminui retrabalho e cria uma operação mais orientada por dados nas farmácias
por Adriana Bruno em
A busca por redução de desperdícios, maior controle do estoque e eficiência operacional coloca a digitalização da movimentação de produtos entre os pontos de atenção do varejo farmacêutico. Nesse cenário, os coletores de dados integrados ao WMS assumem um papel que vai além do registro de informações, passando a nortear a execução das tarefas e validando cada etapa da operação.
Na prática, a tecnologia transforma o processo em uma operação dirigida, por meio da qual o sistema determina a sequência das atividades e fornece ao colaborador as informações necessárias para realizar cada movimentação. O operador recebe a indicação da tarefa, do produto, da quantidade e do endereço, enquanto as leituras feitas durante a execução são validadas pelo WMS em tempo real.
Para Thales Alberto Cocatto, especialista de implantação na Procfit, essa dinâmica reduz etapas manuais e aumenta a segurança da operação. “A lógica pode ser aplicada tanto no centro de distribuição como no estoque da farmácia, criando uma sequência padronizada para diferentes atividades”, reforça. Com as informações apresentadas diretamente no equipamento, diminuem as consultas manuais, os deslocamentos desnecessários, as anotações e os lançamentos realizados posteriormente.
Em vez de depender de diferentes fontes de informação, o colaborador recebe a orientação diretamente do sistema e tem a execução conferida no momento em que ela acontece.
Acuracidade reduz riscos de perdas no estoque
Um dos principais efeitos da integração está no aumento da acuracidade do estoque. O coletor permite conferir se aquilo que está sendo movimentado fisicamente corresponde ao que está registrado no sistema, reduzindo a distância entre a informação disponível no ambiente digital e a realidade da operação.
A validação pode envolver endereço, produto, quantidade, lote e validade. Dessa maneira, eventuais divergências podem ser identificadas durante a própria movimentação, e não apenas quando um inventário ou uma conferência posterior apontar o problema.
Para a farmácia, a maior confiabilidade dos dados também amplia a capacidade de atuar sobre situações que afetam o estoque. “A identificação de produtos próximos do vencimento permite priorizar a saída pelo lote correto, enquanto informações mais precisas ajudam a evitar compras desnecessárias e rupturas”, exemplifica.
Resultado pode ser acompanhado por indicadores
A adoção dos coletores também permite estabelecer uma relação mais objetiva entre a tecnologia e os resultados da operação. Segundo Cocatto, os ganhos podem ser acompanhados por diferentes indicadores de desempenho, permitindo identificar onde houve evolução e quais pontos ainda demandam ajustes.
Entre as variáveis passíveis de análise estão o tempo de inventário, número de divergências, quantidade de retrabalhos, horas extras e produtividade por colaborador.
Coletor, WMS e ERP conectam operação e gestão
A integração entre coletor de dados, WMS e ERP amplia ainda mais o potencial da solução. Cada componente atua em uma etapa do fluxo: o coletor registra aquilo que acontece fisicamente, o WMS controla e valida a operação e o ERP utiliza essas informações para apoiar a gestão do negócio.
A atualização ocorre a partir do momento em que a atividade é realizada. Assim, quando um produto é recebido, armazenado, separado, contado ou movimentado, o dado é registrado com base na execução física.
“O coletor registra a execução física, o WMS controla e valida a operação e o ERP utiliza essas informações para amparar a gestão do negócio”, destaca o especialista.
Padronização é um dos desafios da implantação
Em grandes redes, a implementação dos coletores integrados ao WMS exige atenção à diversidade existente entre as unidades. O primeiro desafio apontado por Cocatto é padronizar processos entre operações com volumes e níveis de maturidade diferentes.
Além dos processos, a infraestrutura também precisa estar preparada. A implantação envolve cobertura de rede, equipamentos adequados, cadastros confiáveis e integração entre WMS e ERP.
Outro fator é o treinamento dos colaboradores. A tecnologia precisa simplificar a execução e, para isso, as telas e as tarefas devem ser suficientemente simples para facilitar a rotina de quem utiliza o equipamento.
A implantação, portanto, precisa avançar de maneira estruturada. Antes de ampliar a utilização da solução, é necessário estabelecer processos bem definidos e acompanhar os indicadores para identificar os resultados e eventuais ajustes. “A tecnologia gera resultado quando equipamento, sistema e processo trabalham em conjunto”, acredita.
Digitalização prepara operação para decisões antecipadas
A utilização dos coletores representa uma etapa da transformação da operação. Depois de digitalizar e validar a execução, os dados acumulados pelo WMS podem ser utilizados para identificar padrões e antecipar necessidades.
O histórico das operações permite trabalhar informações relacionadas à reposição, produtos próximos do vencimento, transferências e dimensionamento das equipes. “Depois de digitalizar a execução, o próximo passo é utilizar os dados do WMS para antecipar necessidades”, ressalta Cocatto.