Gestão de estoque ganha peso na rentabilidade das farmácias
Controle de compras, giro e validade ajudam a reduzir perdas
por Gabriel Noronha em
A gestão de estoque eficiente deixou de ser uma mera tarefa operacional e assumiu um papel estratégico fundamental para a rentabilidade do varejo farmacêutico.
No mercado farma, marcado por margens comprimidas, concorrência intensa e consumidores exigentes, a falta de controle sobre as mercadorias provoca desperdícios financeiros, rupturas nas gôndolas e perda imediata de clientes.
Esses fatores ganham ainda mais destaque com variáveis como o prazo de validade dos itens e suas demandas. Uma prateleira vazia pode significar mais do que uma venda perdida, comprometendo a relação de fidelidade do consumidor com a loja.
Conforme alerta Rafael Tavares, diretor administrativo da Farmarcas e da Febrafar, o diferencial competitivo não está apenas na contratação de softwares, mas na forma como as informações são utilizadas no cotidiano da loja. “Ter tecnologia não significa, necessariamente, ter gestão”, pondera o executivo, que também enfatiza a necessidade de a inovação estar aliada a processos analíticos bem estruturados.
“O resultado só aparece quando o gestor cria rotina de análise, disciplina no uso dos números e transforma dados em decisão. Sem esse processo, o sistema vira apenas um repositório de informações”, destaca.
O papel dos dados na gestão de estoque e no equilíbrio financeiro
Um dos equívocos mais comuns cometidos pelos gestores de drogarias, de acordo com o profissional, é relacionar o aumento das compras ao crescimento das vendas. O especialista explica que comprar em excesso não se traduz em faturamento elevado, mas sim em dinheiro imobilizado e maior exposição ao risco de perdas por vencimento.
Para alcançar o equilíbrio entre disponibilidade de produtos e saúde financeira, o empresário precisa entender o comportamento real de consumo de sua loja.
“Comprar mais não significa vender mais. Muitas vezes, significa apenas imobilizar dinheiro e aumentar o risco de perdas. Gestão eficiente é comprar melhor, com base em dados e comportamento real de consumo”, ressalta o executivo.
A partir dessa análise, o varejista ganha clareza sobre quais itens possuem alto giro, onde há acúmulo desnecessário de mercadorias e onde existe risco iminente de falta de produtos.
Práticas essenciais para organizar as gôndolas e evitar perdas
Para apoiar a rotina do varejista e garantir que a operação funcione com máxima produtividade, a implementação de processos padronizados torna-se indispensável.
Na visão de Tavares, a primeira medida consiste no controle rigoroso da entrada e saída de mercadorias, acompanhado da conferência detalhada de quantidades, prazos de validade e condições das embalagens. Além disso, a gestão ativa dos vencimentos deve assegurar que os itens mais antigos sejam vendidos primeiro, prevenindo perdas no balcão.
A realização de inventários periódicos também surge como etapa crucial para identificar divergências operacionais e falhas de processo antes que afetem o caixa.
Do ponto de vista estratégico, o acompanhamento do giro de produtos por meio da Curva ABC permite priorizar os investimentos nos itens que realmente geram impacto no faturamento.
Outro ponto decisivo é a definição clara de estoques mínimos e máximos, evitando capital parado ou gôndolas desabastecidas. Por fim, o treinamento contínuo das equipes busca garantir que cada colaborador conheça suas responsabilidades e execute os processos com padrão e disciplina.
“Estoque eficiente é aquele que garante produto disponível no momento certo, sem comprometer a saúde financeira do negócio. Esse equilíbrio não acontece por acaso, ele é resultado de método, análise e decisão”, conclui.