Brasil assume o 12º lugar em ranking global de estudos clínicos
País registra 51 estudos iniciados no primeiro trimestre
por Gabriel Noronha em
O Brasil avançou da 18ª para a 12ª posição no ranking global de estudos clínicos, segundo levantamento publicado pela Interfarma. No primeiro trimestre de 2026, o país registrou 51 estudos, o equivalente a 2,9% do total global.
De acordo com o estudo, o movimento ocorre após cinco anos de avanço gradual e pode estar relacionado às mudanças regulatórias implementadas no período. Entre 2020 e o fim de 2025, o Brasil já havia subido três posições, alcançando o patamar do início do ano.
Estudos clínicos ganham previsibilidade regulatória
Para Fernando de Rezende Francisco, diretor executivo da Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (ABRACRO), a regulamentação trouxe maior previsibilidade ao setor.
“Não há dúvidas de que o principal fator por trás das mudanças que o setor vive hoje é a chegada do marco regulatório da pesquisa clínica com seres humanos e sua regulamentação”, afirma.
Entre as medidas adotadas nos últimos anos estão a implementação do Marco Legal da Pesquisa Clínica, a redução do tempo médio de avaliação ética dos estudos e a eliminação do passivo regulatório para ensaios clínicos na Anvisa. Segundo a ABRACRO, as iniciativas contribuíram para tornar o processo mais eficiente e competitivo.
Atualmente, mais de 40 mil pessoas participam anualmente de ensaios clínicos no Brasil. De acordo com a entidade, esse número pode dobrar caso os investimentos no setor avancem. Além de ampliar o acesso a alternativas terapêuticas, a atividade pode contribuir para a redução das filas do SUS, gerar empregos e atrair recursos.
A expectativa do setor é que o Brasil alcance o top 10 do ranking mundial de estudos clínicos iniciados nos próximos anos. Para Francisco, a combinação entre capacidade científica, diversidade genética e regras mais claras pode ampliar a participação brasileira no mercado global de pesquisa clínica.