Como estruturar a vacinação na farmácia
Dados do Report CRX 2025 mostram crescimento de 56% nas doses aplicadas e ajudam a orientar a gestão do serviço
A estruturação do serviço de vacinação exige atenção à operação, aos processos clínicos, ao portfólio e aos indicadores. Em 2025, foram registradas 474.535 doses aplicadas em mais de 3 mil farmácias aderentes ao sistema Clinicarx, volume 56% superior ao registrado em 2024. O Report CRX 2025 também aponta a existência de mais de 5 mil farmácias vacinadoras no Brasil.
Segundo Carlos Rosauro, diretor de negócios B2B2C varejo da Interplayers, e especialista do Panorama Farmacêutico, para o empresário que pretende oferecer ou ampliar o serviço, o primeiro passo é organizar a estrutura necessária para a aplicação segura das vacinas, considerando as exigências regulatórias e os processos de atendimento. “A partir dessa base, é possível definir o portfólio, acompanhar a demanda e organizar os registros”, diz.
Estrutura para vacinação
A aplicação de vacinas em farmácias é regulamentada, segundo o Report CRX, pela RDC Anvisa nº 197/2017, Lei Federal nº 13.021/2014 e Resolução CFF nº 654/2018. A operação deve considerar a estrutura necessária para a realização do serviço, além dos procedimentos relacionados à aplicação e ao registro das doses.
A gestão também precisa considerar a atuação do farmacêutico habilitado. “O relatório destaca que a Resolução CFF nº 16/2024 permite a esses profissionais indicar e prescrever toda e qualquer vacina, ampliando as possibilidades dentro do portfólio”, ressalta o especialista.
Anamnese e prescrição
Antes da aplicação, o atendimento deve contemplar a anamnese vacinal e a avaliação do histórico do paciente. O levantamento destaca recursos voltados à análise das vacinas já iniciadas e à utilização de calendários vacinais para recomendar aquelas indicadas para cada pessoa.
A organização desses registros permite documentar o atendimento e manter os dados necessários ao acompanhamento da jornada vacinal. O documento também mostra a possibilidade de compilar as informações em relatórios formatados, sem retrabalho para transmissão ao SIPNI e autarquias.
Definição do portfólio
Com a estrutura organizada, o empresário pode definir quais produtos estarão disponíveis aos clientes. Em 2025, o levantamento registrou 38 vacinas e apontou as dez mais administradas nas farmácias:
- Influenza (Gripe) – 35,16%;
- Pneumocócica Conjugada 20-valente – 13,39%;
- Herpes Zoster (VZR) – 9,28%;
- Meningocócica B – 7,30%;
- Vírus Sincicial Respiratório – 4,87%;
- Meningocócica ACWY – 4,79%;
- Hexavalente ou Séxtupla – 4,59%;
- HPV Nonavalente – 3,25%;
- Rotavírus Pentavalente – 2,84%;
- Pneumocócica Conjugada 15-valente – 2,63%.
Sazonalidade deve ser considerada
A gestão do portfólio também precisa observar os períodos de maior demanda. “Em 2025, o levantamento identificou momentos sazonais, como o período que antecede o inverno, influenciado pela Campanha de Imunização contra a Gripe”, pontua Rosauro.
O estudo também registra a expansão das vacinas destinadas ao público adulto, associada às inovações da indústria farmacêutica na categoria, especialmente quando acompanhadas por iniciativas de educação farmacêutica e PBM (Programa de Benefício em Medicamentos).
Controle de informações é fundamental
O serviço não termina com a aplicação. O controle das informações permite acompanhar o histórico e identificar pacientes que precisam retornar para completar esquemas vacinais.
O levantamento destaca ferramentas para identificar pacientes faltosos, realizar a revisão da carteira vacinal e emitir uma lista de vacinas recomendadas.
“Para a gestão, também é possível acompanhar o volume de doses aplicadas e a participação de cada produto. Esses indicadores permitem visualizar a composição do portfólio e a evolução das aplicações ao longo do ano”, comenta.
Portfólio deve crescer conforme a demanda
Para o especialista, o acompanhamento das aplicações permite identificar quais vacinas estão ganhando participação. Além das dez mais administradas, o levantamento mostra a presença de vacinas entre os produtos mais prescritos e indicados por farmacêuticos.
Em 2025, Prevenar 20 apareceu na segunda posição, Shingrix na quarta, Bexsero na quinta e Abrysvo na oitava posição do ranking de produtos mais prescritos. “Esses dados podem auxiliar o gestor a acompanhar a composição do serviço e avaliar a disponibilidade das vacinas que fazem parte do atendimento da farmácia”, diz Rosauro.
Checklist para o empresário
Para organizar o serviço de vacinação, o gestor deve acompanhar:
- Estrutura – adequação às normas que regulamentam a aplicação de vacinas
- Equipe – farmacêuticos habilitados para indicação e prescrição, conforme as regras aplicáveis
- Anamnese – avaliação e registro das informações vacinais do paciente
- Portfólio – definição das vacinas disponíveis e acompanhamento da demanda
- Registros – documentação das aplicações e organização dos dados
- Acompanhamento – controle de pacientes e esquemas vacinais
- Indicadores – doses aplicadas, participação por vacina, ticket médio e margem bruta
- Sazonalidade – acompanhamento dos períodos de maior demanda, como a campanha de vacinação contra a gripe