Tecnologia amplia o cuidado na jornada do GLP-1
Alta na demanda gera oportunidades para farmácias, mas exige lapidação da equipe para oferecer uma jornada de atendimento mais assertiva
por Adriana Bruno em e atualizado em
A expansão da demanda por medicamentos da classe GLP-1 coloca o varejo farmacêutico diante de uma oportunidade que vai além da venda das chamadas canetas emagrecedoras. Marina Freitas, coordenadora de marketing da Procfit, resslta que a movimentação financeira dessa categoria no Brasil passou de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 8,5 bilhões no mesmo período de 2026. Os dados são da IQVIA, apresentados na Word Review Conference 2026.
Para a executiva, esse avanço também evidencia a necessidade de as farmácias ampliarem sua atuação na jornada do consumidor. “A maioria das farmácias ainda está muito focada em entregar a caneta. Vende o medicamento e encerra o atendimento, quando poderia fazer essa ponte, oferecer um atendimento mais humanizado e agregar valor à saúde do cliente”, analisa.
Da venda à extensão do cuidado
A oportunidade está em compreender as demandas que acompanham o tratamento e utilizar o atendimento para apresentar categorias relacionadas de maneira orientada. Nesse cenário, o cross-selling deixa de ser apenas uma estratégia comercial e passa a integrar a experiência de atendimento.
“A farmácia precisa interpretar esse conceito não como uma venda forçada, mas como uma consultoria e uma extensão do cuidado com o paciente que está fazendo uso de um GLP-1”, explica.
Para que essa abordagem funcione, entretanto, é necessário preparar quem está na ponta. Balconistas, atendentes e farmacêuticos precisam ter acesso às informações que permitam uma atuação mais consultiva, respeitando as atribuições de cada profissional.
Capacitação precisa acompanhar o mercado
Esse desafio ganha dimensão em um setor marcado pela rotatividade das equipes e pela velocidade com que surgem novos produtos, informações e tratamentos. Modelos tradicionais de treinamento, especialmente os presenciais, podem exigir deslocamentos, infraestrutura e horas fora da operação.
“Existe um custo logístico importante, porque você precisa reunir equipes de diferentes filiais, tirá-las do atendimento e colocá-las em um treinamento, gerando um custo invisível. Enquanto o profissional está sendo deslocado para treinamento, ele deixa de atender e vender”, pontua Marina.
A atualização constante também impõe outro modelo de aprendizagem. É nesse contexto que a tecnologia pode apoiar a gestão de treinamento e desenvolvimento das equipes.
Microlearning leva conhecimento para a loja
Na plataforma Cosmos Pro, uma das possibilidades é estruturar treinamentos a distância em formato de microlearning, com conteúdos distribuídos em módulos mais curtos. A proposta permite que o colaborador consuma as informações durante períodos de menor movimento, sem precisar deixar a operação por longos períodos.
“Em vez de colocar o colaborador durante horas em um treinamento, é possível trabalhar com pequenas pílulas de conhecimento, de cinco, dez ou 15 minutos, ou até conteúdos de um a três minutos. Ele consegue consumir isso no próprio ambiente de trabalho em momentos que a loja não está em horário de pico”, ressalta.
A ferramenta permite ainda criar trilhas de conhecimento, estabelecer pré-requisitos e acompanhar a evolução individual. Os materiais podem ser produzidos em diferentes formatos, como vídeos, apresentações, folders, PDFs, imagens e textos.
Comunicação centralizada
Outro recurso do Cosmos Pro é a rede social corporativa, que funciona como um ambiente centralizado para comunicação com os colaboradores. Trata-se de um espaço ideal para imagens, carrosséis e vídeos, com definição de regras de interação e moderação.
“A informação passa a vir da própria farmácia, de forma centralizada, segura e organizada. Isso ajuda a alinhar o discurso e fazer com que a orientação chegue de maneira padronizada à ponta”, argumenta.
Aproximação entre varejo e indústria
A tecnologia pode ainda contribuir para aproximar farmácias e fornecedores. Marina cita a experiência de clientes que utilizam a plataforma para disponibilizar conteúdos de indústrias aos colaboradores e também comercializar espaços de comunicação para parceiros.
Mais preparo na ponta
O Cosmos Pro opera no modelo SaaS, por assinatura mensal, e permite que a empresa utilize diferentes recursos de acordo com sua estratégia. Para Marina, porém, o valor da tecnologia está principalmente na capacidade de fortalecer a atuação das pessoas.
“A tecnologia não substitui a relação humana. Ela dá mais ferramentas para quem está na ponta, para que esse profissional esteja mais preparado para acolher o cliente e oferecer um atendimento mais completo”, acredita.
Para o varejista, a combinação entre capacitação contínua, comunicação centralizada e engajamento cria uma estrutura para levar as estratégias da empresa até o ponto de venda. O conhecimento deixa de depender apenas de treinamentos pontuais e passa a fazer parte da rotina.