Uso de IAs nas farmácias impulsiona vendas e otimiza processos
Especialista apresenta aplicações da tecnologia em precificação, estoque e atendimento
O uso de IAs nas farmácias deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma realidade prática que transforma o varejo farmacêutico brasileiro. Para Gabriel Ribeiro, fundador da RetailOn e membro do time de Especialistas do Panorama Farmacêutico, a tecnologia representa uma aliada de peso para otimizar as rotinas do ponto de venda.
O executivo, que lidera uma plataforma de vendas com volume de transações superior a R$ 400 milhões em 2025 e projeção de ultrapassar R$ 700 milhões neste ano, define de forma simples o conceito dessa inovação.
Segundo Ribeiro, as ferramentas são capazes de automatizar tarefas repetitivas que consomem tempo das equipes de atendimento. “A IA é simplesmente um sistema que aprende com o passado para tomar decisões no presente”, explica o executivo.
A evolução das IAs nas farmácias
De acordo com o especialista, o uso da inteligência artificial no varejo farmacêutico pode ser dividido em três níveis. O primeiro é composto por chats conversacionais, nos quais o gestor faz perguntas e recebe respostas sobre demandas específicas.
O segundo nível envolve assistentes virtuais voltados à execução de tarefas repetitivas. Essas ferramentas conseguem analisar arquivos, acessar informações externas e cruzar dados para reduzir o trabalho manual das equipes.
O terceiro estágio é representado pelos agentes inteligentes, ferramentas capazes de executar tarefas mais complexas de forma autônoma, com menor necessidade de intervenção humana.
Assistentes de IA apoiam preços e estoques
Para ilustrar aplicações práticas da tecnologia, Ribeiro apresenta exemplos de uso no dia a dia das farmácias. O primeiro envolve o assistente Salim, configurado para monitoramento de preços.
Ao analisar uma planilha de produtos da farmácia, o assistente consulta automaticamente sites de concorrentes, como São João, Pacheco e Pague Menos, para identificar preços por meio do código de barras ou do nome do medicamento.
Caso a farmácia opere em uma praça pequena sem grandes redes por perto, o sistema pode ser direcionado para buscar os preços locais praticados no aplicativo do iFood. Com esses dados, o assistente monta cenários de precificação competitiva e calcula o impacto das mudanças no faturamento mensal.
O segundo cenário envolve a assistente Sara, especializada na gestão de estoque e campanhas. Ao receber relatórios exportados do sistema da farmácia, a ferramenta analisa milhares de informações para propor estratégias de escoamento de produtos.
A assistente consegue identificar mercadorias com baixo giro, como kits de água boricada parados na gôndola, e sugerir a criação de combos promocionais como a mecânica de leve três e pague dois para medicamentos, por exemplo.
Além disso, o sistema define com base em algoritmos quais produtos devem ser direcionados para pontas de gôndola ou para o encarte da loja, com o objetivo de liberar capital de giro e elevar a margem média da farmácia de forma imediata.
Outras ferramentas de inteligência artificial também apoiam o atendimento no balcão, auxiliando na transcrição e interpretação de prescrições médicas de difícil leitura.
Há também assistentes que analisam relatórios de conversas exportadas do WhatsApp de vendas, avaliando o atendimento e identificando as principais objeções dos clientes, como dúvidas sobre a venda de controlados, aceitação de PBMs, opções de entrega e conformidade com a LGPD.
Por fim, Gabriel Ribeiro destaca que a qualidade do cadastro de produtos é um dos principais fatores para que a farmácia seja encontrada por ferramentas de busca baseadas em inteligência artificial.
Para que as inteligências artificiais identifiquem e recomendem o site da farmácia de forma orgânica, o catálogo digital deve conter descrições detalhadas com princípio ativo, classe terapêutica e posologia de cada item.
Ainda segundo o especialista, o Google concede um ranqueamento privilegiado para sites que inserem no cadastro uma validação técnica assinada pelo farmacêutico responsável, o que confere autoridade de saúde à página e impulsiona o tráfego de vendas.