Comprimidos entram na nova disputa pelo mercado da obesidade
Orforglipron e elecoglipron avançam entre as novas opções, enquanto terapias combinadas exploram a ação simultânea de até três hormônios
por Adriana Bruno em e atualizado em
A pesquisa de novos tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2 avança para uma etapa de diversificação das terapias. Entre as apostas estão o orforglipron, da Eli Lilly, e o elecoglipron, da AstraZeneca. O primeiro foi aprovado nos Estados Unidos neste ano, segundo as informações apresentadas, e aguarda autorização da Anvisa para o mercado brasileiro.
Orforglipron registra perda média de 11,2%
A aprovação norte-americana do orforglipron foi baseada em um estudo clínico com mais de 3 mil adultos com obesidade. Após aproximadamente 16 meses de acompanhamento, os participantes que receberam a dose mais alta do medicamento apresentaram perda média de 11,2% do peso corporal.
O desenvolvimento da molécula também avança em outras áreas da saúde metabólica. Segundo Luiz André Magno, diretor executivo de assuntos médicos da Eli Lilly, o medicamento passa por testes relacionados a condições como hipertensão e síndrome dos ovários policísticos.
Dados divulgados em junho de 2026 também avaliaram os resultados da terapia em mulheres em diferentes fases da menopausa.
“Dados clínicos recentes em mulheres no período de peri e pós-menopausa registraram perda média de peso de 14% com o uso da medicação oral”, afirmou Magno, em entrevista durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, o CBEM 2026.
Elecoglipron avança para estudos de fase 3
Outra molécula em desenvolvimento é o elecoglipron, medicamento oral de uso diário que atua sobre o receptor de GLP-1. A terapia apresentou resultados positivos em estudos clínicos de fase 2b e avança agora para a fase 3 de desenvolvimento.
O avanço dos comprimidos ocorre paralelamente à ampliação das pesquisas com medicamentos de mecanismos múltiplos, especialmente aqueles que combinam a atuação sobre diferentes hormônios envolvidos no metabolismo.
Terapias combinam ação sobre três receptores
Entre os projetos em desenvolvimento está a retatrutida, medicamento da classe das incretinas que atua simultaneamente sobre os receptores de GLP-1, GIP e glucagon.
A molécula está em estudos de fase 3, com duração aproximada de 72 semanas. Os resultados apresentados indicaram perda média de peso de 28%, enquanto mais de 60% dos participantes alcançaram redução superior a 30%.
O tratamento também apresentou resultados relacionados à redução de sintomas em pacientes com lesão articular no joelho associada ao excesso de peso.
Preservação da massa muscular entra no radar
Outro medicamento em desenvolvimento é o bimagrumabe, ainda em fase experimental. A proposta da terapia vai além da redução de peso e inclui a preservação da massa muscular durante o emagrecimento.
Já a elonarantida, da classe das amilinas, apresenta um mecanismo diferente das incretinas tradicionais. A molécula mimetiza um hormônio secretado juntamente com a insulina e está atualmente em estudos de fase 3, com seus perfis de segurança em avaliação.
O conjunto de pesquisas reúne, assim, diferentes frentes de desenvolvimento, com medicamentos orais, terapias de ação hormonal combinada e moléculas voltadas à composição corporal entre os projetos que avançam no pipeline de tratamentos para a obesidade.