Eli Lilly processa empresas por venda ilegal de retatrutida nos EUA
Empresa denuncia mercado clandestino de molécula experimental
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A Eli Lilly abriu seis novos processos judiciais nos Estados Unidos pela venda ilegal de retatrutida. As ações, anunciadas pela farmacêutica na quarta-feira, dia 12, miram a defesa da molécula experimental, ainda em desenvolvimento para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. As informações são da Folha de S. Paulo.
Segundo a companhia, os processos envolvem farmácias de manipulação, clínicas de estética, spas médicos e vendedores online que estariam ofertando o produto sob a alegação de uso exclusivo para pesquisa, mas com destinação ao consumo humano.
A retatrutida ainda não possui aprovação regulatória em nenhum país. A expectativa da Eli Lilly é protocolar o pedido de registro junto à FDA no primeiro trimestre de 2027.
“Levamos a sério a responsabilidade de avaliar a segurança e a eficácia de nossos medicamentos em investigação. O que está sendo vendido no mercado clandestino não é um medicamento, é algo totalmente não verificado, não aprovado e que não vale o risco”, afirmou David Hyman, diretor médico da companhia.
Retatrutida amplia interesse no mercado de obesidade
A retatrutida é considerada uma das principais apostas da Eli Lilly no mercado de canetas emagrecedoras. Diferentemente da semaglutida e da tirzepatida, a molécula atua simultaneamente sobre os receptores dos hormônios GLP-1, GIP e glucagon, mecanismo que pode potencializar os resultados clínicos.
O interesse pelo medicamento aumentou após a divulgação de dados de estudos de fase 3, apresentados em julho. No estudo TRIUMPH-3, que avaliou 1.949 pacientes com obesidade grave e doença cardiovascular, participantes tratados com a dose de 12 mg perderam, em média, 25,3 kg, o equivalente a 22,6% do peso corporal.
Já o estudo TRIUMPH-2, conduzido com 1.152 pacientes com obesidade ou sobrepeso associados ao diabetes tipo 2, apontou perda média de 22,5 kg na dose de 12 mg, correspondente a 20,8% do peso inicial.
Empresa amplia combate ao mercado clandestino
A farmacêutica afirma ter denunciado mais de 200 pessoas e organizações a órgãos reguladores, autoridades policiais e entidades profissionais nos Estados Unidos.
A companhia também informou ter comunicado mais de 14 mil sites, anúncios e publicações que supostamente promoviam a venda ilegal da substância em mais de 100 países.
Além das ações judiciais, a Lilly tem reforçado pedidos para que plataformas digitais, empresas de pagamento e operadores logísticos adotem medidas para restringir a comercialização de medicamentos experimentais.
No Brasil, a companhia alerta que a retatrutida está disponível exclusivamente para participantes de estudos clínicos autorizados. A farmacêutica também tem acompanhado apreensões de produtos anunciados como retatrutida na região de fronteira com o Paraguai, onde autoridades relatam dificuldades para identificar a origem e a composição das substâncias comercializadas.
“Qualquer coisa vendida aos consumidores fora desses testes é ilegal, sem forma de verificar a sua segurança, pureza ou dosagem. Tomar substâncias não regulamentadas representa sérios riscos para a saúde”, informou a Lilly do Brasil em comunicado.