Chiesi investe R$ 124 milhões para ampliar fábrica no Brasil
Farmacêutica italiana elevará capacidade da unidade de Santana de Parnaíba para 25 milhões de unidades por
por Adriana Bruno em e atualizado em
A farmacêutica italiana Chiesi vai investir R$ 124 milhões na ampliação da fábrica de Santana de Parnaíba (SP). O projeto prevê aumento da capacidade produtiva e a fabricação no Brasil de uma nova geração de inaladores em spray utilizados no tratamento de asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
A unidade passará de uma capacidade de 15 milhões para 25 milhões de unidades por ano, alta de quase 67%. O investimento também permitirá a produção local de dispositivos que utilizam o propelente HFA 152a, em substituição ao HFA 134a.
Segundo a companhia, a mudança pode reduzir em até 90% a pegada de carbono dos inaladores, sem alterar a eficácia terapêutica. O projeto teve início em 2026, com obras civis, e seguirá com a instalação de novos equipamentos e processos industriais, além das etapas regulatórias necessárias para o lançamento dos produtos.
A expansão ocorre em um momento de crescimento da operação brasileira. A Chiesi registrou faturamento de R$ 690 milhões no país em 2025 e estabeleceu como meta alcançar R$ 1 bilhão até 2030.
Investimento amplia papel estratégico da fábrica
Atualmente, a fábrica produz medicamentos destinados ao mercado brasileiro e à exportação, incluindo inaladores para asma e DPOC enviados para países da Europa e do Oriente Médio.
Com o novo aporte, parte dos recursos será direcionada à expansão física da unidade e outra parcela à instalação de máquinas e processos para a fabricação dos novos inaladores.
“Não é só um investimento da fábrica para ampliar o volume, fazer mais produção e abastecer vários mercados. É também trazer para o Brasil uma tecnologia totalmente nova”, afirma Marco Ruggiero, presidente da Chiesi Brasil.
A iniciativa também está relacionada às metas ambientais do grupo. Os inaladores em spray respondem atualmente por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa da Chiesi. A companhia estabeleceu o objetivo de zerar as emissões em toda a cadeia até 2035.
Produção deve atender Brasil e exterior
A ampliação da capacidade não mira apenas a demanda atual. A Chiesi pretende utilizar a estrutura brasileira para acompanhar o crescimento do mercado local e ampliar as exportações.
A companhia afirma que a operação brasileira vem registrando crescimento de dois dígitos ao ano. Paralelamente, a estratégia é nacionalizar a produção de itens que atualmente são fabricados em outras unidades do grupo. “O objetivo é ser autônomo”, afirma Ruggiero.
Com o projeto, o número de medicamentos fabricados na unidade deverá passar de 11 para 19. Cerca de 31% da produção deverá ser destinada ao mercado externo.
Além dos destinos atuais na Europa, Oriente Médio, Ásia e Oceania, o Brasil deverá ser utilizado como plataforma para ampliar o fornecimento a outros países da América Latina, como México e Colômbia. “Temos um projeto de ser ponto de referência aqui no Brasil para a América Latina”, destaca o executivo.
Chiesi mira R$ 1 bilhão em receita até 2030
A expansão industrial integra uma estratégia mais ampla para levar o faturamento brasileiro a R$ 1 bilhão até 2030. A Chiesi concentra sua atuação em doenças respiratórias, além de áreas como neonatologia e doenças raras.
O crescimento também passa pela ampliação do acesso aos tratamentos por meio do sistema público de saúde. A companhia fornece uma de suas terapias respiratórias ao SUS após processo de incorporação e também participa do Farmácia Popular.
Segundo a farmacêutica, 4,6 milhões de pessoas foram tratadas no Brasil em 2025, alta de 20% em relação ao ano anterior.
O país já está entre os sete maiores mercados da Chiesi no mundo. Para Ruggiero, o desempenho futuro dependerá não apenas do tamanho da população, mas também da evolução dos gastos em saúde e das políticas públicas.