Novo avalia aquisições para ampliar portfólio
Farmacêutica busca novos ativos diante da concorrência no mercado de perda de peso e da pressão sobre Wegovy e Ozempic
por Adriana Bruno em e atualizado em
A Novo avalia aquisições para fortalecer seu portfólio de medicamentos para perda de peso e ampliar sua atuação em áreas terapêuticas relacionadas.
Segundo Mike Doustdar, CEO, a farmacêutica dinamarquesa busca identificar lacunas em seu pipeline e oportunidades para incorporar medicamentos desenvolvidos por outras empresas.
Em entrevista ao programa Squawk Box Europe, da CNBC, Doustdar afirmou que a companhia considera adquirir tratamentos que possam complementar ou superar os medicamentos desenvolvidos internamente.
“Vamos ver onde estão as lacunas e vamos descobrir quem já produziu ou está prestes a lançar medicamentos melhores do que os que somos capazes de produzir sozinhos”, disse.
Pressão sobre Wegovy e Ozempic
A estratégia ocorre em meio ao aumento da concorrência e às preocupações dos investidores com a posição competitiva da Novo Nordisk. Os questionamentos ganharam força após o dia de apresentação aos mercados de capitais realizado na segunda-feira.
As ações da companhia caíram quase 8% na segunda-feira, na maior queda diária desde fevereiro, e recuaram mais 0,23% na terça-feira.
Outro ponto de atenção é a proximidade do vencimento de patentes que protegem os princípios ativos de Wegovy e Ozempic nos Estados Unidos e na Europa, no início da década de 2030. Os dois medicamentos respondem por aproximadamente três quartos das vendas da Novo Nordisk.
Doustdar reconheceu que a apresentação aos investidores não foi suficiente para afastar todas as preocupações.
“Conversamos sobre a diversificação da empresa, mas a reação me indica que ainda há trabalho a ser feito para convencer alguns dos investidores”, afirmou.
Meta é ampliar receitas até 2035
A Novo estabeleceu a meta de desenvolver mais de cinco novos medicamentos de grande sucesso até 2030 e gerar mais de US$ 23 bilhões em vendas adicionais até 2035.
As metas foram consideradas pelos investidores consistentes com as expectativas existentes, limitando o impacto da apresentação sobre o sentimento do mercado.
Em entrevista à Bloomberg TV, Doustdar também reconheceu a necessidade de recuperar a confiança dos investidores na capacidade de execução da companhia. “O que aprendemos nos últimos dois anos é que prometer demais e entregar de menos leva à perda de confiança muito rapidamente”, disse.
Segundo o executivo, os investidores “querem saber o que acontecerá a seguir”.
Cardiovascular entra no radar
Entre as áreas terapêuticas consideradas para possíveis aquisições estão os tratamentos cardiovasculares, segmento relacionado ao mercado de obesidade.
A avaliação ocorre após um revés para o ziltivekimab, medicamento experimental da Novo Nordisk que não conseguiu reduzir o risco de ataques cardíacos em um estudo clínico realizado no início deste ano.
“Acabamos de ter um revés em um de nossos próprios ativos”, afirmou Doustdar.
O executivo explicou que uma transação externa poderia preencher a lacuna deixada no portfólio de projetos. Segundo Doustdar, há menos oportunidades consideradas atraentes para aquisições no próprio segmento de tratamentos para obesidade.
CagriSema segue no foco
Os próximos resultados de ensaios clínicos dos medicamentos de nova geração da Novo Nordisk também estão no radar dos investidores, incluindo o CagriSema.
Doustdar afirmou esperar que o tratamento esteja entre os principais lançamentos da companhia no próximo ano. As expectativas, porém, foram reduzidas após um estudo realizado no início deste ano indicar menor perda de peso com o CagriSema em comparação ao Zepbound, da Eli Lilly.
Os próximos resultados clínicos devem trazer informações adicionais sobre o potencial do medicamento enquanto a Novo Nordisk busca fortalecer sua posição no mercado de controle de peso.
A Novo Nordisk também é negociada na B3 por meio da BDR N1VO34.