Como as farmácias podem vender mais com estratégia digital?
Posicionamento, tráfego pago e conhecimento do consumidor ajudam a transformar canais online em ferramentas de atração, conversão e fidelização
por Adriana Bruno em
A presença nas redes sociais, por si só, não garante resultados comerciais. Para transformar visibilidade em vendas, o gestor precisa estruturar os canais digitais, facilitar o acesso às informações da loja e conectar a comunicação às etapas da jornada de compra.
Para Felipe Arice, CEO e fundador da DKF Digital um dos principais obstáculos está na forma como parte do varejo farmacêutico encara o ambiente online. Publicar conteúdos sem planejamento, limitando-se a encartes e ofertas, reduz as oportunidades de construir uma presença relevante.
“O digital precisa ser tratado como uma frente estratégica do negócio, e não apenas como mais um canal para divulgar produtos. Cada ação deve ter um objetivo claro dentro do posicionamento da farmácia e da relação com o consumidor”, afirma.
Presença digital exige integração
A construção de uma presença digital consistente começa pela integração dos canais. Um perfil ativo no Instagram precisa oferecer acesso rápido ao contato comercial, endereço, horários de funcionamento e informações sobre delivery, facilitando o caminho até a compra.
Essa estrutura depende da combinação entre conteúdo, visibilidade e facilidade de acesso. Publicar com frequência sem direcionar o público para a loja limita a geração de demanda. Da mesma forma, investir em anúncios sem preparar os canais para receber os interessados pode comprometer os resultados.
Eduardo Cipolaro, sócio diretor operacional da DKF Digital recomenda integrar o perfil da empresa no Google, anteriormente conhecido como Google Meu Negócio, o Instagram e os anúncios de tráfego pago direcionados à região de atuação.
“Quando esses canais trabalham de maneira coordenada, a farmácia amplia suas oportunidades de ser encontrada, reconhecida e considerada pelo consumidor no momento em que ele precisa comprar”, diz.
Ainda de acordo com ele, a farmácia está vivendo uma nova era e estar no digital deixou de ser um diferencial e virou obrigação. “O digital permite à farmácia independente, de pequeno ou médio porte, não ser engolida pelas grandes redes. Quem não está no digital vai ser engolido, então não é opção, é obrigação”, alerta.
Jornada de compra começa antes do balcão
O planejamento digital deve abranger todo o relacionamento com o cliente. Na metodologia da DKF Digital, o processo envolve três etapas: pré-venda, venda e pós-venda.
Na pré-venda, o objetivo é gerar demanda e ampliar a visibilidade. Na etapa de venda, o foco está na conversão dos interessados, com preparo comercial para aproveitar as oportunidades geradas pelas campanhas. Já o pós-venda busca manter o relacionamento com quem já comprou e estimular novas compras.
Ferramentas como CRM, grupos VIP no WhatsApp e convites para seguir os perfis da farmácia ajudam a manter o estabelecimento presente nos canais utilizados pelo consumidor. A integração entre marketing e atendimento permite dar continuidade ao interesse despertado no ambiente digital.
“O trabalho não termina quando o cliente chega à loja ou conclui um pedido. É importante criar condições para que ele mantenha contato com a farmácia e volte a considerá-la em suas próximas necessidades”, explica Arice.
Tráfego pago ajuda a disputar a atenção
Em um mercado competitivo, conquistar a atenção do público exige anúncios segmentados geograficamente, conteúdos atrativos e canais que facilitem a comunicação. A exposição recorrente pode ampliar o reconhecimento da farmácia e favorecer sua consideração quando surge uma necessidade de compra.
Para gerar oportunidades, porém, os anúncios precisam direcionar o consumidor a canais preparados para atendê-lo. A estratégia deve respeitar a área de atuação e os objetivos comerciais do estabelecimento, conduzindo o público ao contato com a loja e à jornada de compra.
Dados orientam ofertas e comunicação
Analisar as interações com campanhas, ofertas e publicações ajuda a identificar quais conteúdos despertam mais interesse em cada região. Essa leitura permite ajustar a comunicação considerando as particularidades locais, como clima, hábitos de consumo e preferências.
Tendências, notícias e movimentos de influenciadores também podem alterar rapidamente a procura por determinadas categorias. Por isso, acompanhar as respostas do público e as mudanças de comportamento é importante para revisar campanhas e adequar ofertas.
“Antes de definir as ações, precisamos entender o contexto de cada farmácia, seus desafios e as características do público que deseja alcançar. Essa análise permite direcionar o trabalho às necessidades específicas de cada operação”, ressalta Cipolaro.
Como estruturar os primeiros investimentos
Para farmácias com presença digital pouco estruturada, o ponto de partida é buscar informação confiável e planejamento. A divulgação isolada de encartes, preços e fotos de produtos, sem uma proposta definida, pode não atender aos objetivos comerciais.
Se a prioridade for ampliar o reconhecimento da loja na região, por exemplo, apresentar sua estrutura, mostrar seus diferenciais e convidar o público a conhecê-la pode ser mais adequado do que concentrar as publicações em ofertas.
A estratégia deve responder às necessidades do negócio, estabelecer prioridades e organizar os canais de contato. Não existe um roteiro único: a estruturação da presença online precisa considerar a realidade de cada farmácia e os gargalos que precisam ser enfrentados.
“É necessário identificar o que a farmácia precisa melhorar naquele momento e desenvolver um plano compatível com sua realidade. A partir desse diagnóstico, é possível direcionar as ações para os objetivos definidos e acompanhar a evolução do trabalho”, conclui Arice.