Indulgência abre novas frentes para o canal farma
Dados da Worldpanel apontam que varejistas ampliam oportunidades com snacks, bebidas e produtos ligados à nutrição e ao bem-estar
por Adriana Bruno em
As categorias de indulgência já fazem parte do canal farma, mas os resultados ainda são distintos entre os segmentos. Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, chocolates recuaram 6,2%, enquanto salgadinhos/snacks tiveram queda de 5,9% e sorvetes, de 4,2%, segundo a Worldpanel by Numerator.
Ao mesmo tempo, produtos como água mineral e de coco, isotônicos e bebidas à base de soja, que combinam conveniência e funcionalidade, apresentam avanço e ampliam as possibilidades de consumo dentro das farmácias.
Para Daniel Horai, diretor de Novos Negócios da Worldpanel by Numerator, os dados ainda não indicam uma expansão generalizada desse segmento, mas mostram espaço para ampliar a oferta de alimentos e bebidas no canal.
“A indulgência pode fazer parte dessa diversificação, mas não necessariamente como único vetor: produtos que combinam conveniência, consumo e funcionalidade parecem apresentar uma aderência especialmente interessante ao canal”, avalia.
Desempenho das categorias de indulgência no canal farma

Mix precisa considerar o perfil da loja
A definição do espaço destinado à indulgência passa, segundo Emanuele Rodrigues, CEO da ER Consultoria e especialista em gerenciamento por categoria no Panorama Farmacêutico, pela leitura do perfil do shopper, do entorno e das ocasiões de compra. “É preciso olhar para o perfil de quem frequenta a farmácia, o entorno e as ocasiões de compra antes de definir sortimento e espaço. Também vale observar quem quer uma opção gostosa, mas prefere produtos com mais proteína, sem açúcar ou sem lactose”, pontua.
Ela cita a experiência de uma farmácia localizada em shopping, próxima a um cinema e uma academia. A loja reorganizou o mix e criou um corredor próximo ao caixa, reunindo snacks e chocolates de um lado e opções proteicas, sem açúcar e sem lactose de outro. As bebidas também ganharam nova organização na geladeira, com maior presença de formatos individuais.
Após 90 dias, a operação passou a acompanhar saída, estoque e exposição para realizar ajustes. “A categoria ganhou relevância naquela loja porque a oferta passou a fazer sentido para as pessoas que circulavam ali”, conta.
Checkout é parte da estratégia
O checkout pode favorecer produtos de decisão rápida, mas não precisa concentrar toda a oferta. Segundo Emanuele, itens que demandam maior escolha ou estão associados a outras ocasiões podem ser posicionados em corredores próximos ou junto de categorias complementares.
[Essa lógica também se aplica ao cross-merchandising. A recomendação é aproximar produtos considerados pelo shopper em uma mesma ocasião de consumo, como snacks e bebidas para consumo imediato ou barras e bebidas proteicas para consumidores ligados à prática de atividade física.
“Não basta colocar dois produtos lado a lado. É preciso observar se a exposição facilita a compra, quais itens aparecem juntos no cupom e se o resultado compensa o espaço ocupado”, orienta Emanuele.
Compra por impulso exige gestão
Na Panvel, o movimento em categorias ligadas à saúde, nutrição e bem-estar vem acompanhado pela ampliação do sortimento e da visibilidade dos produtos. Segundo Carolina Nalério Monteiro, gerente executiva comercial da varejista, a rede ampliou o mix de suplementos e incorporou. A exposição ganhou áreas específicas e organização por necessidades e ocasiões de consumo”, diz.
Nesse contexto, barras proteicas, bebidas funcionais e outras soluções de nutrição passaram a integrar uma jornada mais ampla relacionada à suplementação e ao estilo de vida saudável. Para Emanuele, três pontos devem orientar a execução – definir o mix de acordo com cada loja, facilitar a escolha e acompanhar os resultados após a implantação.
“O produto mais vendido na rede não será necessariamente o mais relevante em todos os pontos. Vale olhar o perfil do shopper, o entorno e o giro de lojas comparáveis”, explica. A especialista também reforça a necessidade de monitorar vendas, estoque e itens por cupom, ajustando espaço e sortimento conforme o desempenho. “A compra pode ser por impulso para o shopper, mas a decisão do varejista precisa ser planejada”, finaliza.