Governo prevê mudanças no SUS
Plano inclui exames na Farmácia Popular, expansão do atendimento oncológico, digitalização dos serviços e incentivo à produção nacional de medicamentos
por Adriana Bruno em e atualizado em
O envelhecimento da população brasileira pressiona o sistema de saúde e amplia a demanda por atendimento a pacientes com doenças crônicas. O custo de terapias inovadoras para câncer e doenças raras também desafia o orçamento público, enquanto o SUS enfrenta filas, desigualdade regional e limitações de infraestrutura.
Nesse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propõe ampliar a atenção básica, a oferta de consultas e exames, a digitalização dos serviços e a produção nacional de medicamentos. As informações são do Estadão.
Exames e consultas na Farmácia Popular
A proposta é incluir exames de sangue e urina e consultas gratuitas no Farmácia Popular, com foco em doenças como hipertensão e diabetes. O plano prevê manter a gratuidade dos itens oferecidos, distribuir fraldas geriátricas, revisar os medicamentos disponíveis e ampliar pontos de retirada nas periferias e em localidades sem farmácias credenciadas.
Desafios de implementação
Será necessário definir os exames cobertos, a remuneração dos procedimentos, os profissionais habilitados e a integração dos resultados ao acompanhamento dos pacientes. Testes em farmácias podem apoiar a triagem, mas não substituem necessariamente exames laboratoriais convencionais e podem exigir confirmação diagnóstica.
Rede de diagnóstico e tratamento do câncer
O plano prevê ampliar centros de alta complexidade em oncologia, radioterapia e cirurgias, além da oferta de quimioterápicos e imunoterápicos. Também propõe serviços especializados em cidades com mais de 150 mil habitantes e a expansão do Supercentro Brasil de Telediagnóstico do Câncer para acelerar a análise de biópsias em regiões com escassez de profissionais.
Desafios de implementação
A expansão exige recursos, equipamentos de alta complexidade e equipes especializadas. O custo das terapias inovadoras também pode limitar o acesso. No Brasil Adiante, evento promovido pelo Estadão, o sanitarista Gonzalo Vecina defendeu critérios unificados para avaliar tecnologias em saúde destinadas ao SUS e aos planos privados.
Prontuário integrado e inteligência artificial no SUS
A proposta é consolidar o prontuário único pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), ampliar o agendamento digital de consultas e o acesso a resultados de exames. A inteligência artificial (IA) apoiaria a triagem e a identificação de casos graves. Para especialistas, está prevista uma fila digital única, organizada pelo risco clínico.
Desafios de implementação
A integração depende de registros atualizados e da comunicação entre sistemas de hospitais e gestores públicos. O uso da IA exige validação clínica, supervisão profissional e proteção de dados. O CEO da Rede D’Or, Paulo Moll, também destacou a importância do compartilhamento de informações para enfrentar os custos da saúde.
Saúde da Família e Agora Tem Especialistas
O plano prevê ampliar as equipes de Saúde da Família e multiprofissionais, favorecer a permanência de médicos e aumentar a oferta de exames nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Também propõe expandir o Agora Tem Especialistas com terceiro turno, carretas, mutirões e parcerias com hospitais privados.
Desafios de implementação
A ampliação da atenção básica depende da fixação de médicos e da atuação dos agentes comunitários de saúde. No Brasil Adiante, Vecina apontou a atenção primária como estratégia para enfrentar o envelhecimento populacional. Já o Agora Tem Especialistas precisa dar transparência às filas remanescentes e ao acompanhamento dos pacientes após os procedimentos.
Produção nacional de medicamentos e insumos
O fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde busca estimular a pesquisa nacional e reduzir a dependência externa. Entre as medidas estão parcerias entre empresas, universidades e instituições públicas, aperfeiçoamento das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) e pesquisas com insumos derivados da biodiversidade brasileira.
Desafios de implementação
A pesquisa farmacêutica exige financiamento contínuo, infraestrutura e profissionais qualificados. A transferência de tecnologia e as parcerias privadas podem ampliar a capacidade produtiva, mas os resultados levam tempo. Atrair e reter pesquisadores também é um desafio para as instituições públicas.