Panvel aposta em tecnologia para aprimorar logística
Com mais de 400 lojas atendidas, estrutura reúne sistemas automatizados, separação por voz com inteligência artificial e rastreabilidade de medicamentos
por Adriana Bruno em
A eficiência logística é um dos pilares da operação da Panvel. Com uma estrutura que atende mais de 400 lojas, o centro de distribuição (CD) de Eldorado do Sul (RS) reúne diferentes tecnologias de automação, sistemas de inteligência artificial (IA) e processos de controle para garantir agilidade no abastecimento e precisão na separação dos produtos.
Na segunda reportagem da série gerada após a visita exclusiva do Panorama Farmacêutico à sede do Grupo Panvel, em Eldorado do Sul (RS), vamos nos aprofundar no Centro de Distribuição da empresa.
A operação combina separadoras automáticas, sistemas pick-to-light e separação por voz, além de tecnologias incorporadas à rotina logística ao longo das últimas décadas. Uma das mais antigas é o A-Frame, sistema de separação automática utilizado pela companhia desde o fim dos anos 1990. A Panvel está entre as pioneiras no uso desse recurso no Rio Grande do Sul.
Segundo o diretor de logística Edson Reus, a harmonização de diferentes soluções permite adaptar os processos às necessidades da operação. “O CD tem capacidade de processar cerca de 600 mil unidades e utiliza a integração entre equipamentos e equipes para sustentar a produtividade, tudo isso em 23 mil metros quadrados de área”, relata.
Abastecimento em D+0 amplia disponibilidade
Um dos avanços operacionais está no modelo de atendimento em D+0, já utilizado para mais de 30% das lojas. Por meio desse formato, os pedidos recebidos pela manhã são separados no mesmo período e entregues às unidades durante a tarde ou no início da noite.
A agilidade encurta o intervalo entre a solicitação e a chegada dos produtos ao ponto de venda, contribuindo para ampliar a disponibilidade de mercadorias para o consumidor. “Esse sistema também busca reduzir o esforço das equipes das lojas, com processos de distribuição organizados para facilitar o recebimento e a rotina das unidades”, detalha.
A estrutura logística também precisa atender às exigências específicas do setor farmacêutico. A companhia mantém controles desde a entrada dos produtos, com registro de lotes, quantidades e prazos de validade, até a rastreabilidade ao longo do processo e a dispensação ao consumidor final.
O executivo destaca que os procedimentos seguem a RDC 430, com um sistema de qualidade voltado à preservação das informações e à segurança dos produtos.
A estrutura contempla áreas específicas para medicamentos tarjados e psicotrópicos, além de equipamentos de refrigeração com temperatura controlada. Nesse ambiente, o operador realiza a separação pelo lado externo da área refrigerada.

Inteligência artificial apoia processos e equipes
A inteligência artificial também passou a integrar diferentes etapas da operação. Uma das aplicações é a Sofia, ferramenta utilizada pelos colaboradores para consultar instruções de trabalho e esclarecer dúvidas durante as atividades logísticas.
Outra frente é a separação por voz, desenvolvida internamente pela Panvel. A solução incorpora recursos de IA e aprende com o conjunto de produtos e as solicitações realizadas ao longo dos processos de separação. Para Reus, essa tecnologia representa um diferencial importante para a evolução da operação.
A prevenção de erros também conta com recursos instalados nas linhas de separação. Balanças distribuídas ao longo dos equipamentos identificam possíveis divergências e direcionam os produtos para conferência. A medida reforça a precisão dos itens enviados às lojas.
A organização do CD por categorias é mais um recurso utilizado para facilitar o abastecimento. A divisão busca tornar a entrega mais funcional para as unidades, considerando as necessidades de recebimento e organização dos produtos.

Treinamento e retenção fazem parte da estratégia
Mesmo com o avanço da automação, a gestão de pessoas permanece entre os principais desafios da logística. A Panvel mantém programas de treinamento e qualificação vinculados à evolução profissional dos colaboradores. Os cursos realizados integram os critérios para progressão nos diferentes níveis da carreira logística.
A estratégia visa a desenvolver as equipes, ampliar a preparação técnica e estimular a permanência dos profissionais na operação. Para o diretor, a combinação entre tecnologia, processos estruturados e pessoas qualificadas sustenta a fluidez dos centros de distribuição.
Além de Eldorado do Sul, a companhia conta com uma segunda unidade em São José dos Pinhais (PR), que opera no mesmo formato. A busca por eficiência também acompanha as mudanças no comportamento de consumo, especialmente com a expansão do comércio eletrônico e a expectativa por entregas cada vez mais rápidas. “Sempre afirmo que o setor de logística é hoje um gerador de sucesso. Se ele tem desempenho deficitário, o negócio não vai bem”, ressalta Reus.