Pague Menos questiona venda de medicamentos pelo Mercado Livre
CEO da rede cobra aplicação das mesmas regras sanitárias para o marketplace
por Gabriel Noronha em e atualizado em
O CEO da Pague Menos, Jonas Marques, questiona a operação do Mercado Livre na venda de medicamentos sob prescrição e cobra que a plataforma cumpra as mesmas exigências regulatórias aplicadas às redes de farmácias.
Em entrevista ao NeoFeed, o executivo afirmou que o marketplace não comprova a origem de todos os produtos comercializados por vendedores parceiros e classificou o modelo como concorrência desleal.
“O Mercado Livre comprou uma pequena farmácia, no bairro do Jabaquara [em São Paulo], e quer atender o Brasil todo, sem se submeter às mesmas regras”, declarou Marques.
O executivo também criticou a oferta de produtos da Dauf, marca própria de higiene pessoal e beleza da Pague Menos, na plataforma. Segundo ele, a rede não vende esses itens a distribuidores e já notificou o marketplace sobre a comercialização não autorizada.
A discussão envolve a interpretação das regras para a venda de medicamentos pela internet. Uma lei sancionada em março de 2026 autorizou farmácias e drogarias a contratar plataformas para serviços de logística e entrega, mas não estabeleceu autorização para a comercialização direta por marketplaces. A regulamentação da Anvisa também restringe a venda de medicamentos em sites sem vínculo com redes varejistas autorizadas.
Mercado Livre e venda de medicamentos sob prescrição
A Abrafarma já havia encaminhado um ofício à Anvisa para pedir a apuração da atuação do Mercado Livre no segmento. A agência notificou a companhia, que informou ao NeoFeed manter diálogo ativo para discutir a evolução do mercado e afirmou atuar em conformidade com as normas aplicáveis.
Marques afirma que não pretende integrar a Pague Menos ao marketplace, apesar de a plataforma ter procurado a rede em outras ocasiões. “Não faz sentido. Não estaremos no Mercado Livre”, disse.
No segundo trimestre, os canais digitais responderam por 24,1% do volume de vendas da companhia, com receita de R$ 1 bilhão.
O executivo também questiona a viabilidade do modelo para medicamentos sob prescrição. Segundo ele, a venda desses produtos exige confiança, acompanhamento farmacêutico e proximidade com a loja física.
Como exemplo, citou a Amazon, que adquiriu a farmácia PillPack em 2018, mas, segundo sua avaliação, ainda tem participação limitada no mercado norte-americano.
A movimentação também preocupa a indústria farmacêutica. Uma fonte do setor ouvida pelo NeoFeed afirmou que fabricantes aguardam um posicionamento da Anvisa e relutam em adotar um modelo que possa gerar conflito com as redes tradicionais, principais canais de distribuição de medicamentos.