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A dança dos remédios no combate à Covid-19

A pandemia de Covid-19 é um dos maiores desafios que a medicina moderna já enfrentou. Médicos e cientistas estão em uma corrida para encontrar tratamentos e medicamentos que possam combater ou até mesmo prevenir a ação do coronavírus. Fármacos com os mais diversos princípios ativos estão sendo investigados a partir de três abordagens gerais mais significativas: antivirais que afetam a capacidade do vírus se desenvolver dentro do organismo; medicamentos que podem moderar a resposta do sistema imunológico, controlando a chamada tempestade inflamatória; e anticorpos, provenientes do sangue dos pacientes recuperados ou produzidos em laboratório, que podem atacar o vírus.

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“Existem grandes apostas promissoras e alguns tratamentos que já podem ser utilizados dependendo do caso, mas a ciência tem seu tempo e precisa ser respeitado”, afirma Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e coordenadora da Rede Análise Covid-19, uma rede multidisciplinar que analisa e divulga dados relativos à doença. “A questão é que a gente ainda não tem um fármaco ou uma estratégia que tenha se mostrado muito além de promissor. Tudo está sendo pesquisado”, pontua.

No Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), a Plataforma de Triagem Fenotípica já testou in vitro 7 mil substâncias, entre fármacos já utilizados para outras doenças e novas moléculas desenvolvidas. Células infectadas com Sars-CoV-2 são colocadas em placas de ensaio e cada uma recebe diferentes compostos a fim de verificar quais têm potencial para combater o vírus. As análises são feitas de modo automatizado.

“Dois fatores são fundamentais na análise, a eficiência da molécula, que deve eliminar pelo menos 70% dos vírus da amostra, e a toxicidade, que deve ser abaixo de 30%. Ou seja, o objetivo é encontrar a droga que seja mais mortal para o vírus e que cause o menor dano possível para as células”, explica Lúcio Freitas Junior, coordenador da plataforma. O estudo está sendo feito desde março e chegou a 50 substâncias “muito promissoras”. No momento, as drogas selecionadas estão em mais uma fase de estudos em células antes de partir para testes em animais.

Outra frente de pesquisa são os estudos clínicos, investigando o reposicionamento de fármacos diretamente em pacientes infectados pelo novo coronavírus. Em meio a 100 ensaios do tipo autorizados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e outros 53 aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, um realizado no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto chama a atenção. Nele, um grupo de 14 pacientes em estado crítico ou grave recebeu doses do anticorpo monoclonal eculizumabe e apresentou significativa redução do estado inflamatório causado pela Covid-19.

Bruno Garcia, médico hematologista e pesquisador do HC, explica que a pesquisa partiu da observação de que tanto outros coronavírus quanto o Sars-CoV-2 ativam em excesso uma parte da imunidade humana chamada sistema complemento, atacando tanto o vírus quanto o organismo infectado. “O eculizumabe já é conhecido por inibir essa ativação em excesso e decidimos testar a ação dele em pacientes internados. Em todos eles houve melhoras e nenhum efeito adverso grave”, expõe. Em razão dos resultados promissores, os pesquisadores estão planejando realizar um estudo clínico de fase 3, com a participação de mais de 100 pacientes, a fim de buscar a comprovação da eficácia do tratamento.

Miriam Mendonça, professora de Farmácia na Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que o desenvolvimento ou o reposicionamento de fármacos leva anos para ser realizado com segurança. “Existem os chamados fast tracks, os procedimentos para acelerar as aprovações, mas isso nunca aconteceu em tempo menor que um ano”, afirma. A Sociedade Brasileira de Infectologia, a Sociedade Brasileira de Pneumonia e Tisiologia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades afirmam que não existe, no momento, um remédio capaz de conter o avanço do novo coronavírus.

Sobre o assunto:

Nitazoxanida não tem efeito comprovado contra a Covid-19

O que aconteceu com a hidroxicloroquina?

Uma linha do tempo dos fármacos contra a Covid-19

Entre as dezenas de estudos com fármacos sendo realizados desde o início do ano, alguns chamam a atenção – seja pela repercussão entre autoridades e comunidade científica, seja por seus resultados. Até o momento, nenhum medicamento tem comprovações contra o Sars-CoV-2. O POVO lista as principais datas envolvendo o tema:

março.2020

As propagandas da hidroxicloroquina

No dia 19, Donald Trump mencionou a hidroxicloroquina pela primeira vez. O estadunidense determinou que a FDA, entidade reguladora do país, acelerasse a aprovação de potenciais terapias contra a Covid-19, citando a droga antimalária. No dia 21, Jair Bolsonaro anunciou ampliação da produção de cloroquina pelos laboratórios do Exército brasileiro. Desde então, Bolsonaro divulgou o medicamento diversas vezes

abril.2020

Um antiparasitário em cena

Pesquisadores australianos relataram que a ivermectina bloqueou o novo coronavírus em culturas de células. Entretanto, a dosagem de sucesso in vitro é tão alta que pode ter efeitos colaterais perigosos nas pessoas

1º.mai.2020

Uso emergencial do remdesivir

O medicamento é autorizado para o tratamento emergencial de casos suspeitos ou confirmados hospitalizados com doença grave. Segundo a FDA, “os benefícios conhecidos e potenciais para tratar este vírus sério ou potencialmente fatal” superavam os riscos. Um ensaio clínico publicado naquele mês concluiu que a droga reduziu o tempo de recuperação de pessoas hospitalizadas com Covid-19 de 15 para 11 dias

20.mai.2020

O vai e volta da cloroquina

Novo protocolo do Ministério da Saúde (MS) recomenda a prescrição do remédio desde os primeiros sinais da Covid-19. Vários estados ignoraram as novas diretrizes. No dia 23, o Conselho Nacional de Saúde pediu a suspensão imediata das orientações do MS

jun.2020

Corticosteróides reduzem mortes

Um estudo com mais de 6 mil pessoas descobriu que a dexametasona reduziu as mortes de pacientes em ventiladores e oxigênio. Em setembro, os resultados foram revistos junto a dois outros esteróides, hidrocortisona e metilprednisolona. No geral, foram associados a uma redução de um terço das mortes entre os pacientes graves

out.2020

A vez da nitazoxanida

O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou que o vermífugo tem resultados positivos no tratamento precoce da Covid-19. O anúncio associava um resultado secundário de estudo financiado pelo governo para passar a ideia de eficácia. Para especialistas, a conclusão foi precipitada e a pesquisa apresenta falhas.

15.out.2020

Hidroxicloroquina e remdesivir não funcionam

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um pré-print com os resultados do ensaio clínico Solidarity, que envolveu 30 países e indica que os remédios em questão têm “pouco ou nenhum efeito” sobre a mortalidade ou o tempo de internação. A metodologia da pesquisa é questionada por alguns especialistas

22.out.2020

Remdesivir aprovado nos EUA

A FDA liberou o uso do antiviral para casos moderados e graves de Covid-19 em pacientes a partir dos 12 anos. Em 28 de outubro, a Gilead Sciences, farmacêutica que o produz, disse que o remdesivir gerou US$ 873 milhões em receitas desde janeiro

Como um medicamento é criado?

São necessários anos de estudos e testes para um fármaco ser aprovado. Eficácia e segurança são dois parâmetros fundamentais nesse processo: é preciso ter forte ataque contra a causa da doença sem causar danos ao organismo.

Etapa pré-clínica

| Testes in vitro e em animais

Tudo começa com a descoberta de uma substância ou molécula. Se o potencial terapêutico for confirmado em experimentos em células, ela passa a ser testada em animais.

Etapa clínica

|Testes em humanos

Fase 1

Estudo com grupo pequeno, de 20 a 100 voluntários saudáveis, para entender se a substância funciona. Nessa fase, são apontados parâmetros de dosagem e segurança, além fluxo do medicamento no organismo, da administração à excreção.

Tempo: até 1 ano

Fase 2

Pesquisa com centenas de pacientes que apresentam quadros leves da doença alvo. Entre os objetivos estão definir a população alvo; explorar a relação entre dosagens e efeitos sobre a doença; e avaliar a segurança de curto prazo.

Tempo: até 2 anos

Fase 3

Teste com milhares de pacientes e, geralmente, em diversas populações (estudos multicêntricos). O objetivo é determinar o risco/benefício e o valor terapêutico, reunindo mais dados sobre segurança, eficácia e interação com outras drogas. Também é demonstrada a vantagem terapêutica em relação a outros medicamentos.

Tempo: até 4 anos

Fase 4

O medicamento já foi aprovado e está no mercado, mas são feitos outros estudos acompanhando os efeitos a longo prazo. Também chamada de farmacovigilância.

Tempo médio: de 6 meses a 2 anos

Fonte: O Povo Online

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/11/04/pilbox-quer-mais-negocios-com-distribuidores-e-redes-regionais/

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