A Anvisa aprovou o registro de cinco novas canetas de semaglutida no Brasil. Trata-se do maior volume de autorizações para medicamentos injetáveis agonistas de GLP-1 concedido em uma única decisão.
Antes de chegarem ao mercado, os produtos ainda precisam passar pela definição de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), processo que deve ser concluído em aproximadamente dois meses.
Todos os medicamentos têm semaglutida sintética como princípio ativo e são indicados para o tratamento do diabetes tipo 2.
Conheça os medicamentos registrados
- Owozy – Ávita Care / Sandoz
- Seemasun – Sun Farmacêutica do Brasil
- Zempneo – Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica
- Semavy – Hypera Pharma
- Orsema – Ranbaxy Farmacêutica
Para Breno Oliveira, CEO da Hypera Pharma, a chegada do Semavy tende a ampliar o acesso dos pacientes à terapia. “Queremos garantir que mais brasileiros possam iniciar e, principalmente, manter seu tratamento com um produto de altíssima qualidade a um preço justo”, observa.
Já a Sandoz será responsável pela comercialização do Owozy, importado e distribuído pela Ávita Care, conforme antecipou o Panorama Farmacêutico. “Estamos reforçando o compromisso com melhores desfechos para os pacientes. Agora eles passam a contar com uma versão sintética da semaglutida, que pode ser mantida fora da geladeira por até 42 dias após a primeira utilização”, afirma Isabella Wanderley, presidente da farmacêutica.
Registros foram concedidos por comparabilidade
Segundo a Anvisa, os cinco medicamentos foram registrados a partir da comparação com o Ozempic, medicamento biológico à base de semaglutida. As novas canetas são indicadas para adultos com diabetes tipo 2 que não obtiveram controle adequado da doença com outras terapias, como a metformina.
Situação semelhante ocorre com o Ozivy, da EMS. Embora tenha sido considerado o medicamento de referência em semaglutida sintética, sua bula também contempla apenas o tratamento do diabetes tipo 2.
Já para obesidade, permanecem disponíveis no mercado brasileiro o Mounjaro (tirzepatida – Eli Lilly), Wegovy (Novo Nordisk), Poviztra (Eurofarma), Saxenda (liraglutida – Novo Nordisk) e Olire (liraglutida – EMS).
Mercado acelera e concentra novos pedidos
As aprovações ocorrem em um mercado que projeta crescimento expressivo. A expectativa é que a categoria de medicamentos baseados em GLP-1 evolua de US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) em 2026 para US$ 9 bilhões (R$ 46,7 bilhões) em 2030.
Diante desse cenário, a Anvisa realizou uma força-tarefa para acelerar a análise dos pedidos de registro. Até o momento, 11 dos 24 processos protocolados tiveram a avaliação concluída.
Segundo a autarquia, 68% das solicitações de registro dessa classe de fármacos referem-se a canetas com princípios ativos sintéticos, evidenciando a rápida expansão desse segmento no mercado farmacêutico brasileiro.
