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Aumento de infecção por fungos mortais em UTIs da COVID preocupa Índia

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Além da preocupação com os sintomas e efeitos a longo prazo da infecção pela COVID-19, os cientistas estão alerta com o surgimento de fungos graves em pacientes, que podem trazer resultados fatais. Em maio deste ano, por exemplo, em meio a um cenário terrível da pandemia na Índia, um homem de meia-idade acometido pela doença precisou ser internado na UTI de um hospital da cidade de Calcutá. Lá, enquanto tinha o quadro cada vez mais agravado e precisando de um respirador, os médicos resolveram trata-lo com esteroides.

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Ele conseguiu se recuperar da COVID-19, mas os esteroides deixaram sua imunidade mais baixa e os níveis de açúcar no sangue maiores. Foi quando os médicos descobriram que ele se infectou com um fungo mortal e resistente a medicamentos, chamado Candida auris (C.auris). O fungo foi descoberto na comunidade científica há mais de 10 anos, tempo suficiente para se tornar um dos micróbios hospitalares mais ameaçadores do mundo. A Candida auris é um fungo que entra na corrente sanguínea, e isso pode acontecer em unidades de tratamento intensivo de todo o mundo, com taxa de mortalidade de 70%.

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Casos de infecção por fungos mortais estão aumentando no mundo, principalmente na Índia, devido às internações diárias pela COVID-19, principalmente em pessoas que precisam de mais de uma semana de tratamento intensivo. Isso porque a troca constante de tubos e outros itens pode acabar sendo negligenciada quanto à desinfecção, deixando um espaço para a formação de microorganismos. Além disso, a medicação usada para combater o vírus acaba afetando o sistema imunológico do paciente, deixando o organismo vulnerável aos fungos.

Antes mesmo de a Candida auris, chamada de fungo branco, começar a aparecer nas UTIs, a Índia sofria as ameaças do fungo preto, conhecido por causar mucormicose. Também raro, o fungo provoca uma infecção perigosa que afeta os olhos, nariz e, algumas vezes, o cérebro. Até então, cerca de 28 mil casos da doença já foram registrados no mundo, além de mais de 200 mortes. Além da Candida, tanto auris quanto albicans, ambas fatais para seres humanos, o fungo da espécie Aspergillus, apelidado de fungo verde, que provoca a doença aspergilose, também é fatal e afeta os pulmões. Tanto Candida quanto Aspergillus, inclusive, são os dois principais gêneros de fungos que mais causam a morte de humanos.

Os cientistas explicam que a Candida é um germe que pode aparecer em superfícies de bastante contato com humanos, como cortinas de chuveiro, telas de computador, grades de vagões de trem, estetoscópios, entre outros objetos. No organismo, o fungo traz infecções sanguíneas, infectando também o sistema respiratório, sistema nervoso central, órgãos internos e a pele.

O Aspergillus também permanece em ambientes comuns, mas costuma ser encontrado em sistemas de aquecimento ou ar-condicionado. Segundo os médicos, o nosso corpo consegue combater a entrada do fungo no trato respiratório, mas pacientes que foram infectados com o coronavírus têm menos chances de conseguir evitar a contaminação. Cerca de 20% a 30% dos pacientes internados em estado grave de COVID-19 dependentes de ventilação mecânica acabam contraindo o fungo.

Sintomas

Os sintomas da contaminação são parecidos com os provocados pelo coronavírus, como febre, tosse e falta de ar, mas infecções superficiais da Candida podem trazer os mesmos sintomas de “sapinho” branco, ou candidíase oral, deixando lesões na boca, estômago, pulmões ou no leito ungueal, que fica logo abaixo das unhas. Em infecções mais invasivas, quando o fungo entra na corrente sanguínea, o paciente pode ter sintomas como pressão baixa, febre, dor no abdômen e infecções no trato urinário.

Os médicos contam que o diagnóstico da infecção por fungos é bastante difícil, e que é preciso se atentar aos cuidados de higiene durante o tratamento de pacientes com COVID-19 grave para evitar que eles se tornem vulneráveis à contaminação e resistente aos medicamentos necessários para o tratamento.

Fonte: Canaltech

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