Bayer planeja fábrica no Brasil para dobrar operação em cinco anos
Mas instalação da planta fabril está condicionada à manutenção do ritmo de expansão da área de Consumer Health
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A farmacêutica alemã Bayer analisa a construção de uma fábrica própria no Brasil, ao mesmo tempo em que traça como meta duplicar sua divisão de consumer health no país nos próximos cinco anos.
A decisão sobre a instalação da unidade fabril está condicionada à manutenção do ritmo de expansão da divisão, conforme informações divulgadas pelo Valor Econômico.
A unidade de negócios engloba medicamentos isentos de prescrição, produtos de autocuidado e prevenção, com destaque para as marcas Bepantol e Gino-Canesten, que representam juntas cerca de 70% da receita da unidade de negócios no país.
Atualmente, a maior parte dos produtos da divisão no Brasil é fabricada por meio de contratos com terceiros. Desde 2021, quando vendeu sua unidade de anticoncepcionais em São Paulo para a União Química, a farmacêutica não mantém fábrica própria no país.
“Se continuarmos tendo anos tão bem-sucedidos como 2025, provavelmente acabaremos tendo nossa própria fabricação para alguns dos produtos que pretendemos lançar no Brasil”, afirma Julio Triana, presidente global da área e membro do conselho de administração da companhia. “É uma das ideias que já estamos considerando, caso o mercado continue a crescer, em termos de volume”, acrescenta.
Performance da Bayer no Brasil supera mercados tradicionais
O Brasil figura como o terceiro mercado mais relevante da América Latina para a divisão de saúde do consumidor da Bayer, enquanto o México ocupa a primeira posição.
Globalmente, a área somou € 5,8 bilhões (R$ 33,94 bilhões) em vendas em 2025, mantendo o mesmo patamar de 2024. Na América Latina, a unidade alcançou € 699 milhões (R$ 4,09 bilhões), com avanço de 2,6%. A Bayer não divulga dados financeiros específicos por país.
Cristina Hegg, presidente da divisão no Brasil, declarou que o Brasil “é um país onde a divisão ainda não se consolidou totalmente como negócio. Logo, representa uma oportunidade”. A divisão de saúde do consumidor é a menor unidade da Bayer e a que apresentou menor crescimento dentro da companhia no último ano.
No Brasil, no entanto, a divisão registrou um desempenho superior à média global, com alta de 11,3% em 2025. Já em países como Estados Unidos e China a companhia apresentou cenários mais desafiadores.
O mercado brasileiro de saúde do consumidor movimentou cerca de R$ 52,2 bilhões no período, segundo levantamento do grupo FarmaBrasil com dados da IQVIA. As empresas nacionais concentraram 58% desse faturamento, enquanto as multinacionais ficaram com 42%.