Brasileiros vão gastar quase R$ 260 bilhões com higiene e beleza em 2026
Pesquisa aponta crescimento de 6,8% no setor de cuidados pessoais e expansão de novos pontos de venda no país
por Gabriel Noronha em
O mercado brasileiro de cuidados pessoais, higiene e beleza mantém um ritmo consistente de expansão, com projeções que estimam a movimentação de R$ 258,8 bilhões ao longo de 2026, segundo pesquisa da IPC Maps.
O montante representa um crescimento de 6,8% em comparação ao ano passado e é resultado da soma dos desembolsos das famílias com itens como perfumes, cremes, bronzeadores, maquiagens, sabonetes, desodorantes, papel higiênico e absorventes, além de outros produtos de uso diário voltados aos cuidados com cabelo, pele, boca e unhas.
Gastos com higiene e beleza variam conforme a renda
A pesquisa também estratificou os desembolsos com a categoria entre as diferentes classes sociais. De acordo com a IPC, as famílias da classe A lideram o crescimento das despesas com higiene e beleza, registrando alta de 17,2% em relação ao ano anterior e R$ 22,19 bilhões movimentados.
Na sequência, a classe C registra aumento de 14,5% no orçamento destinado à categoria, se destacando com R$ 117,36 bilhões. Já as classes D e E apresentam crescimento mais moderado, de 3,1%, com R$ 37,21 bi em vendas.
Marcos Pazzini, sócio da IPC, destaca que a considerável vantagem da classe C em valores movimentados é explicada por fatores como as “migrações entre os estratos sociais. “Desse modo, a projeção é que a camada C responda, sozinha, por cerca de 36,9% de tudo o que será desembolsado neste ano em território nacional”, acrescenta o executivo.
Em contrapartida, os consumidores da classe B devem apresentar um recuo de 3,2% nesses gastos, fechando o ano com R$ 82 bilhões.
Gastos com HPC conforme a renda
(Avanço em % em relação ao ano anterior, valor em bilhões R$)

São Paulo lidera ranking de gastos com HPC
Entre os estados, São Paulo lidera os gastos com R$ 66,6 bilhões, seguido por Minas Gerais, com R$ 24,9 bilhões; Rio de Janeiro, com R$ 17,7 bilhões; e Rio Grande do Sul, com R$ 15 bilhões, praticamente empatado com a Bahia, que soma R$ 14,8 bilhões.
Distribuição dos gastos com HPC nos cinco principais estados
(em bilhões de R$ e %)

Expansão dos PDVs impulsiona o consumo
A pesquisa também aponta expansão da rede de vendas das categorias. O número de estabelecimentos varejistas voltados a cosméticos, artigos médicos e óticas avançou 8,52%, passando de 312.439 no ano passado para 339.050 em 2026, com a inauguração de aproximadamente 26 mil novos PDVs.
Em julho, o Panorama Farmacêutico revelou dados de uma pesquisa da Close-Up International apontando que o varejo farmacêutico está assumindo um papel crescente como canal de conveniência para o shopper de produtos de cuidados pessoais.
“Nos últimos 12 meses encerrados em maio, a categoria representou 6,5% dos valores movimentados e 11% do volume de unidades comercializadas. Considerando somente não medicamentos, a representatividade vai para 21,6% em valores e 28,3% em unidades”, destaca Fernanda Rebelo, analista sênior de market insights da consultoria.
Esses produtos registraram um crescimento de 8,4% no período, acima dos 7,3% dos medicamentos isentos de prescrição e dos 7,9% do mercado como um todo.