Projeto prevê quebra temporária da patente do Mounjaro
Senador apresentou PL que declara medicamento de interesse público
por César Ferro em e atualizado em
A patente do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida da Lilly, pode ser alvo de licença compulsória caso o Projeto de Lei (PL) 5.427/2026 seja aprovado. As informações são da Rádio Senado.
A proposta, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), declara de interesse público as patentes e os pedidos de patente relativos ao princípio ativo. A medida reconhece a prioridade coletiva da terapia e é o primeiro passo para uma quebra temporária da exclusividade.
“Sabemos que a população mais pobre muitas vezes é também a que tem mais dificuldade de acesso a uma alimentação saudável e, consequentemente, está mais exposta a problemas como obesidade e diabetes”, argumenta o parlamentar.
Procurado pelo Panorama Farmacêutico, o laboratório não respondeu até a publicação desta nota.
PL sobre patente do Mounjaro ficará para depois das eleições
O texto, que atualmente aguarda despacho na Secretaria Legislativa do Senado Federal, será examinado apenas após as eleições. O Congresso também analisa outros dois projetos semelhantes, de autoria da senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) e do deputado Mário Heringer (PDT-MG).
Medicamento movimenta R$ 13,5 bi em um ano
Apenas um ano após o lançamento do Mounjaro nas farmácias, a Eli Lilly contabiliza resultados que superaram todas as projeções iniciais. A tirzepatida movimentou R$ 13,54 bilhões em vendas, alcançou quase 3 milhões de pacientes e consolidou a operação brasileira entre as dez maiores afiliadas globais da companhia.
Os números, divulgados pela EXAME em julho, reforçam a transformação do segmento de terapias para obesidade e diabetes, hoje um dos mais estratégicos para a indústria farmacêutica. Além de acelerar investimentos e ampliar a produção mundial, o crescimento também intensifica a disputa com a Novo Nordisk, amplia o interesse por novos lançamentos e pressiona o mercado diante da chegada de genéricos da semaglutida.