Consumidor 50+ já movimenta R$ 1,8 trilhão
Valor pode chegar a R$ 3,8 trilhões em 2044 e amplia desafios para indústria e varejo
por Adriana Bruno em
O consumidor brasileiro com 50 anos ou mais já movimenta R$ 1,8 trilhão por ano e pode chegar a R$ 3,8 trilhões em 2044. O avanço da longevidade muda não apenas o perfil etário da população, mas também as demandas por produtos, serviços, atendimento e experiências.
Segundo o estudo Brasil Prateado, do data8, o público 50+ respondeu por 24% do consumo privado dos domicílios em 2024. Em 2044, essa participação poderá alcançar 35%. Os valores consideram o consumo total dessa população, e não apenas produtos relacionados à saúde e ao bem-estar.
“O consumidor já mudou a forma como cuida de si. Ele não entra na loja pensando em categorias ou no organograma das empresas. Ele pensa em ter mais energia, preservar a saúde, cuidar da aparência, manter a autonomia e viver melhor. O desafio agora é transformar essa nova mentalidade em produtos, serviços e experiências capazes de acompanhá-lo ao longo da vida”, afirma Cláudia Martins, fundadora e diretora comercial da CM Impacta.
Para ela, a resposta passa por organizar o mix a partir das necessidades do consumidor, qualificar o atendimento e aproximar categorias que fazem parte de uma mesma rotina.
A longevidade deixou de ser uma discussão restrita à idade e passou a representar uma transformação profunda na forma como as pessoas consomem, cuidam de si e planejam o futuro. “Estamos falando de um consumidor que já está no mercado e que vai exigir das empresas novas soluções, serviços e experiências ao longo de uma jornada muito mais extensa. Para o varejo e para a indústria, compreender esse movimento agora significa identificar oportunidades que vão definir negócios nas próximas décadas”, afirma Marcos Gouvêa, fundador da Gouvêa Ecosystem.

Longevidade não começa aos 60 anos
A executiva avalia que tratar a longevidade exclusivamente como um mercado delimitado pela idade restringe a análise. Consumidores de diferentes gerações já tomam decisões sobre alimentação, atividade física, beleza, sono e autocuidado pensando em como desejam viver nas próximas décadas.
Essa foi a provocação do painel “O cliente de 100 anos já está na sua loja. E ele não veio comprar remédio”, moderado por Cláudia no 1º Fórum Economia da Longevidade, realizado em 16 de setembro, durante o LATAM Retail Show, em São Paulo.
A expressão “cliente de 100 anos” representa uma perspectiva de longo prazo, e não uma previsão de que todos alcançarão essa idade. A discussão considera que escolhas relacionadas a uma vida mais longa e com qualidade já influenciam o consumo atual.
O movimento também se conecta à economia do wellness, que movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024, o equivalente a aproximadamente R$ 35,0 trilhões, e deverá alcançar US$ 9,8 trilhões em 2029, cerca de R$ 50,5 trilhões, considerando a cotação de referência utilizada.
O Brasil aparece como o 11º maior mercado mundial, com US$ 125,4 bilhões em 2024 (aproximadamente R$ 645,8 bilhões).
Dentro desse mercado, cuidados pessoais e beleza movimentaram aproximadamente US$ 1,35 trilhão (R$ 7,0 trilhões); alimentação saudável, nutrição e controle de peso, US$ 1,15 trilhão (R$ 5,9 trilhões); e atividade física, US$ 1,14 trilhão (R$ 5,9 trilhões).
Consumidor integra necessidades
Para Cláudia, existe um descompasso entre o comportamento do consumidor e a forma como as empresas organizam suas ofertas. Alimentação, suplementação, cuidados com a pele e atividade física podem fazer parte de uma mesma rotina, mas permanecem frequentemente distribuídos entre diferentes departamentos, equipes e experiências.
Atendimento ganha relevância
Juliana Lopes, vice-presidente comercial da RD Saúde, afirmou que a companhia realiza cerca de 1,5 milhão de atendimentos por dia e conta com 15 mil farmacêuticos. A escala evidencia o papel do ponto de venda como espaço de relacionamento e orientação.
Segundo a executiva, há diferentes perfis entre os consumidores que procuram categorias de suplementação e autocuidado. “Alguns passam a incorporar novos cuidados após um diagnóstico, enquanto pessoas mais jovens chegam com informação e interesse em antecipar os cuidados com a saúde, comenta.
As diferentes motivações ampliam a necessidade de um atendimento capaz de reconhecer demandas distintas. A variedade de produtos, portanto, é apenas parte da resposta para acompanhar o consumidor ao longo da vida.
Pela perspectiva da indústria, Gabriela Condino, head marketing de suplementos da Nestlé, comenta que as prioridades se modificam com o tempo. “Energia, aparência, sono, cognição e mobilidade aparecem em momentos e contextos diferentes, exigindo ofertas e comunicação adequadas a cada necessidade”, pontua.