Crise na distribuição mobiliza empresas do setor
Executivo de distribuidora carioca emite manifesto em defesa de uma agenda conjunta entre indústria, distribuição e entidades
por Adriana Bruno em e atualizado em
O agravamento da situação financeira das distribuidoras de medicamentos voltou a acender o alerta no setor. Após a Navarro Distribuidora de Medicamentos ingressar com pedido de recuperação judicial, Thiago André, diretor administrativo da DiskMed Padua, defendeu uma articulação maior entre indústrias, distribuidores, atacadistas e entidades representativas dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Em manifestação divulgada ao mercado, o executivo afirma que o cenário atual está entre os mais desafiadores dos últimos anos e que as dificuldades não podem ser analisadas de forma isolada.
“Não podemos tratar esse movimento como um problema isolado de cada empresa. Quando a estrutura econômica de um elo da cadeia se deteriora de forma generalizada, toda a cadeia é afetada”, afirma André.
O alerta ocorre em meio ao avanço dos eventos de insolvência no atacado farmacêutico. Levantamento da RGF-BIZDOC, com dados acumulados até 30 de junho de 2026, aponta 20 empresas de distribuição envolvidas em processos de recuperação judicial ou falência, sendo 11 em recuperação judicial e nove em falência.
Considerando varejo e distribuição, o setor farmacêutico somava 54 empresas nessas condições no fim do segundo trimestre.
O pedido da Navarro reforça a dimensão do problema. A distribuidora ajuizou a recuperação judicial em 3 de outubro, com o objetivo de preservar a operação, os empregos e a capacidade de pagamento aos credores. Entre os fatores apontados pela companhia está o custo do crédito de curto prazo. A empresa informou que mantém normalmente as operações, o atendimento aos clientes e as entregas.
Pressão sobre margens e capital de giro
Em seu manifesto, André destaca que a combinação de pressão sobre margens, aumento de custos operacionais e financeiros, necessidade crescente de capital de giro, maior complexidade regulatória e competição cada vez mais intensa tem colocado empresas do setor diante de decisões difíceis. “O cenário é especialmente preocupante porque temos observado um movimento de encerramento, redução de operações e perda de sustentabilidade de empresas atacadistas de medicamentos”, alerta.
O executivo ainda pontua que cada empresa que fecha suas portas representa empregos perdidos, investimentos destruídos, capacidade de distribuição reduzida e, no médio prazo, um mercado menos diverso e mais vulnerável.
“Não podemos tratar esse movimento como um problema isolado de cada empresa. Quando a estrutura econômica de um elo da cadeia se deteriora de forma generalizada, toda a cadeia é afetada. Indústria, distribuidores, farmácias, hospitais, profissionais e, principalmente, o paciente que depende da regularidade do abastecimento”, analisa.
Executivo pede união ao setor
Colocar os problemas reais sobre a mesa, abrindo diálogo institucional para identificar caminhos que contribuam com a preservação da sustentabilidade econômica das empresas é um dos apelos que André faz ao setor.
“Não se trata de pedir uniformização de preços, condições comerciais ou qualquer prática que limite a livre concorrência. Ao contrário, o objetivo é promover diálogo legítimo e responsável, dentro da legislação aplicável, sem troca de informações concorrencialmente sensíveis”, destaca.
Para ele é necessário discutir os desafios estruturais que estão pressionando o setor e buscar soluções que fortaleçam sua capacidade de continuar operando. “Depois que uma estrutura é perdida, sua reconstrução é muito mais difícil e cara.Este é um momento em que a omissão custa caro. Acredito que ainda exista espaço para construir soluções, mas isso depende de iniciativa, união e diálogo. O momento de discutir a sustentabilidade do setor não é depois que mais empresas encerrarem suas atividades. É agora e o objetivo é preservar empresas, empregos, abastecimento e a sustentabilidade de toda a cadeia farmacêutica”, finaliza.