Eurofarma aposta em videogame terapêutico para TDAH
Parceria com a Akili prevê trazer ao Brasil terapia digital para crianças, adolescentes e adultos; soluções dependem da aprovação da Anvisa
por Adriana Bruno em e atualizado em
A Eurofarma quer levar o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) para além dos medicamentos. A farmacêutica prepara a chegada ao Brasil de uma terapia digital baseada em videogames para estimular a atenção de crianças, adolescentes e adultos.
A iniciativa, firmada com a norte-americana Akili, abre uma nova frente no mercado de saúde digital, mas depende de aprovação da Anvisa.
A plataforma reúne duas soluções. O EndeavorRx é destinado a crianças e adolescentes e foi o primeiro videogame terapêutico prescrito autorizado pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, para melhorar a função atencional em pacientes com TDAH. Já o EndeavorOTC foi desenvolvido para adultos e também recebeu autorização do órgão norte-americano.
No Brasil, os produtos terão os nomes Endeavor, para adultos, e EndeavorJR, para crianças e adolescentes. A proposta é atuar como recurso complementar ao tratamento convencional, ampliando as alternativas disponíveis para pacientes e profissionais de saúde.
“Estamos diante de uma nova era da saúde, em que terapias digitais passam a complementar abordagens tradicionais e oferecem novas possibilidades para pacientes, profissionais de saúde e sistemas de cuidado”, afirma Marco Billi, CEO Internacional da Eurofarma.
Estudos apontam melhora da atenção
A tecnologia combina princípios da neurociência com experiências digitais interativas para estimular circuitos neurais relacionados à atenção.
No estudo STARS-ADHD, um ensaio clínico controlado com 348 crianças de 8 a 12 anos com TDAH que não recebiam medicação, o EndeavorRx demonstrou melhora estatisticamente significativa da atenção após quatro semanas, em comparação com um videogame educacional.
Ao fim do período, 36% das crianças que utilizaram a solução apresentaram resultados dentro da faixa considerada normal em pelo menos um dos aspectos avaliados da atenção, ante 21% no grupo de controle.
Além disso, 56% dos pais relataram melhora na atenção dos filhos no cotidiano, enquanto 73% das crianças disseram perceber avanços.
A plataforma também foi avaliada como complemento à medicação. No estudo STARS-Adjunct, crianças de 8 a 14 anos utilizaram a terapia digital com ou sem medicamentos para TDAH.
Os resultados apontaram melhora no impacto do transtorno sobre o funcionamento diário após quatro semanas nos dois grupos.
Outros estudos, com 162 adolescentes de 13 a 17 anos e 221 adultos, também registraram melhora estatisticamente significativa na atenção.
Os critérios de resposta clínica foram alcançados por 66% dos adolescentes e 83% dos adultos. Os resultados sustentam a investigação da terapia digital como ferramenta complementar, mas não significam que ela possa substituir medicamentos ou dispensar acompanhamento médico. No Brasil, as indicações e condições de uso dependerão da aprovação regulatória.
Parceria amplia atuação digital
“Endeavor foi desenvolvido com base em mais de uma década de pesquisas em neurociência e rigorosos estudos clínicos para melhorar a atenção por meio de algo que as pessoas realmente querem fazer, ou seja, jogar videogame”, afirma Dan Elenbaas, CEO da Virtual Therapeutics, controladora da Akili.
O acordo se soma a outras iniciativas da Eurofarma em saúde digital, incluindo uma parceria com a sul-coreana SK Biopharmaceuticals para desenvolver soluções de inteligência artificial voltadas à detecção e à previsão de crises epilépticas.
A disponibilização no mercado brasileiro, contudo, está condicionada à aprovação da Anvisa.