Expansão do varejo farmacêutico reforça importância da automação
Projeção de alta de 50% no faturamento até 2030 exigirá modernizações
O setor farmacêutico brasileiro aproxima-se de um ponto de virada decisivo na visão de Giuseppe Picolli, fundador da Ponti e Futuro e integrante da seção Os Especialistas do Panorama Farmacêutico.
De acordo com o executivo, as farmácias entrarão em um forte ciclo de expansão nos próximos cinco anos, com uma projeção de até 50% de incremento na receita até 2030.
Esse movimento será impulsionado pelo envelhecimento populacional, pela chegada dos genéricos das canetas emagrecedoras ao varejo independente e pelo avanço constante do segmento de beleza e bem-estar. No entanto, muitos gestores correm o risco de perder essa oportunidade ao adiar a modernização das suas lojas.
Conforme alerta o especialista, a estagnação cobra um preço alto da operação, e nesse cenário a automação surge então como a principal resposta para absorver esse volume crescente sem encarecer a estrutura. “O custo da inércia é o de não fazermos nada. Nos próximos cinco anos, entraremos em um novo ciclo de crescimento no varejo farmacêutico”, observa.
Os motores de expansão e os desafios da automação no estoque
A transformação demográfica representa o primeiro grande pilar dessa nova fase. O Brasil já conta com mais de 62 milhões de pessoas acima dos 50 anos, uma fatia populacional que demanda acompanhamento contínuo e maior volume de medicamentos.
Ao mesmo tempo, a popularização das terapias de GLP-1 e a busca por produtos de saúde atrairão um contingente inédito de consumidores para os estabelecimentos de bairro e associativistas.
Diante desse fluxo intenso, o grande desafio gerencial consiste em responder à pergunta de como aumentar expressivamente o volume de vendas sem contratar mais funcionários, sem expandir o espaço físico da loja e sem elevar a complexidade das rotinas. Picolli reforça que a solução passa inevitavelmente pela eficiência técnica.
Eficiência operacional e automação contra novos concorrentes
O cenário competitivo torna-se ainda mais desafiador com a movimentação de grandes redes, supermercados e marketplaces digitais, que avançam sobre o varejo farmacêutico com apetite e poder de investimento.
Apesar dessa pressão, as lojas físicas mantêm a valiosa vantagem do relacionamento próximo, da confiança do cliente e da localização comunitária no bairro.
Para prevalecer nessa disputa, a farmácia tradicional não pode tentar competir com as mesmas ferramentas do passado. Para o executivo, o caminho exige adotar tecnologia para simplificar processos, elevar a densidade de armazenamento e garantir rapidez de atendimento.
“Os marketplaces e os supermercados avançaram sobre o setor com grande apetite. Mas as farmácias já estão bem posicionadas com seus clientes. O jogo agora envolve mais eficiência e produtividade”, conclui Giuseppe Picolli.