Hypera ganha impulso com GLP-1 e geração de caixa
Itaú BBA vê Semavy como novo vetor de crescimento, enquanto desalavancagem amplia potencial de rentabilidade
por Adriana Bruno em e atualizado em
A Hypera Pharma ganha um novo vetor de crescimento com a entrada no mercado de medicamentos à base de GLP-1, ao mesmo tempo em que avança na geração de caixa e na redução do endividamento.
Em relatório divulgado em 13 de setembro, o Itaú BBA reiterou a recomendação de Outperform para as ações da companhia e elevou o preço-alvo para R$ 33 ao fim de 2027, ante R$ 32 para 2026. O valor representa potencial de alta de 45% em relação à cotação considerada pelo banco.
O principal catalisador apontado pelos analistas é o Semavy, novo produto da Hypera para obesidade e diabetes. A companhia já recebeu uma encomenda inicial de 400 mil canetas, enquanto as primeiras checagens de canal indicam recepção positiva entre médicos e farmácias.
A estratégia de promoção junto a diferentes especialidades médicas também deverá contribuir para ampliar o conhecimento sobre o tratamento e acelerar sua adoção no mercado formal.
“Estimamos que a encomenda inicial de 400.000 canetas do Semavy pela Hypera possa gerar uma receita incremental significativa no curto prazo. Embora os custos de promoção restrinjam o ganho inicial de Ebitda em 2026, o produto será um motor expressivo de rentabilidade a partir de 2027”, dizem os analistas do Itaú BBA.
Semavy deve ampliar contribuição a partir de 2027
A projeção do banco prevê 1,6 milhão de canetas comercializadas em 2027, com receita bruta estimada em R$ 479 milhões e receita líquida de R$ 359 milhões. A margem Ebitda do produto sairia de 0% no terceiro trimestre de 2026 para 25% no terceiro trimestre de 2027, chegando a uma margem média de 21,3% no ano e Ebitda de R$ 76 milhões.
No curto prazo, porém, os investimentos necessários para o lançamento devem limitar a contribuição do produto para os resultados. A instituição estima que o Ebitda consolidado da Hypera fique próximo de R$ 800 milhões no terceiro trimestre de 2026. A expectativa é que o ganho de escala do Semavy passe a exercer influência mais relevante sobre a rentabilidade a partir do próximo ano.
O Semavy traz um diferencial que é a possibilidade de manter a caneta de em temperatura ambiente por até seis semanas após aberta, sem necessidade de refrigeração. “O estudo clínico em humanos comprova o cuidado da Mantecorp com a qualidade e segurança do medicamento oferecido à população”, comenta Breno Oliveira, CEO da Hypera Pharma
O movimento ocorre em paralelo à resiliência do negócio principal. As vendas no canal farma cresceram entre 7% e 8% em julho e agosto de 2026, segundo o relatório. O desempenho dos dermocosméticos compensou a evolução mais moderada das categorias de gripe e resfriados, sustentando o ritmo do chamado core business.
Mercado de GLP-1 entra no radar estratégico
Para o Itaú BBA, a combinação entre execução operacional, maior geração de caixa e entrada no segmento de análogos de GLP-1 sustenta uma perspectiva favorável para a companhia. As estimativas para 2026 estão próximas do consenso de mercado, enquanto para 2027 o banco trabalha com uma visão ligeiramente mais conservadora.
Nesse cenário, o Semavy passa a ocupar posição estratégica no planejamento de crescimento da Hypera. A expectativa é de que o produto tenha contribuição financeira mais limitada durante a fase inicial de lançamento, mas ganhe escala e rentabilidade à medida que avance a comercialização. A companhia, assim, combina a expansão de uma nova categoria de alta demanda com iniciativas de desalavancagem e eficiência financeira.