Mais da metade das mulheres brasileiras com mais de 40 anos convivem com perda involuntária de urina, mas a grande maioria nunca buscou tratamento. É o que mostra a pesquisa inédita, realizada pela Ipsos a pedido da Apsen. O estudo é parte de uma campanha de conscientização que tem Helô Pinheiro como embaixadora.
Segundo o levantamento, 56% das entrevistadas relatam apresentar o problema e 87% nunca realizaram qualquer tipo de tratamento.
O estudo aponta que vergonha, desinformação e dificuldade para abordar o tema continuam sendo as principais barreiras ao diagnóstico e ao tratamento.
“Os resultados mostram que muitas mulheres ainda deixam de buscar cuidado ou adaptam suas rotinas para lidar com a incontinência urinária”, afirma Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen.
Condição altera rotina e afeta o bem-estar
A pesquisa mostra que a incontinência urinária interfere diretamente na qualidade de vida das pacientes. Entre as mulheres que convivem com a condição, 52% afirmam ter mudado a rotina para evitar episódios de perda urinária.
As principais adaptações incluem o uso preventivo de absorventes, protetores ou fraldas (33%), o planejamento de deslocamentos de acordo com a disponibilidade de banheiros (11%), mudanças na forma de se vestir e até a redução da prática de atividades físicas.
O impacto também é emocional. Entre as mulheres com incontinência urinária mista, 29% relatam aumento da ansiedade, do estresse, da vergonha ou da tristeza, enquanto 33% afirmam esconder ou evitar conversar sobre o problema com familiares e amigos.
Tabu ainda dificulta o diagnóstico
O levantamento revela que o constrangimento permanece presente até mesmo durante as consultas médicas. Entre as mulheres com mais de 50 anos que apresentam incontinência urinária, 64% dizem ter dificuldade para falar sobre o problema, inclusive com profissionais de saúde.
Outro dado chama atenção: 54% afirmam que nunca foram questionadas por médicos sobre episódios de perda urinária durante consultas de rotina, indicando que o tema ainda é pouco abordado na prática clínica.
Conhecimento não se traduz em tratamento
Embora 58% das entrevistadas saibam que a incontinência urinária tem tratamento, apenas 13% das mulheres que convivem com a condição fazem algum tipo de acompanhamento especializado.
A pesquisa também aponta lacunas importantes de informação. 19% das participantes desconhecem que existem diferentes tipos de incontinência urinária, que há tratamentos específicos para cada caso ou que o urologista também é o especialista responsável pelo atendimento das mulheres.
Ao mesmo tempo, 79% reconhecem que a perda urinária é um problema de saúde que merece atenção, evidenciando um descompasso entre a percepção da gravidade da condição e a busca efetiva por assistência médica.
