Mercado global de proteção solar deve chegar a R$ 155 bilhões em 2031
Segmento ganha tração com tendências de autocuidado e popularização nas redes sociais
por Gabriel Noronha em
Um levantamento da Mordor Intelligence avaliou o mercado global de produtos de proteção solar em US$ 17,6 bilhões (R$ 95 bilhões) em 2025 e projeta movimentação de US$ 19,3 bilhões (R$ 104,2 bilhões) em 2026. A expectativa é que a categoria alcance US$ 30,6 bilhões (R$ 165,2 bilhões) até 2031, com taxa composta anual de crescimento (CAGR) de 9,66% nos próximos cinco anos.
O estudo analisa o desempenho de produtos de proteção solar e pós-sol, cobrindo formulações convencionais e alternativas orgânicas ou naturais voltadas para o público adulto e infantil.
Já de acordo com a Circana, companhia americana especializada em pesquisas de mercado, a expansão da categoria está associada à maior conscientização sobre a saúde da pele e à prevenção do envelhecimento precoce e de doenças como o melanoma.
O movimento também é impulsionado por recomendações de dermatologistas, pela influência das redes sociais, como TikTok e Instagram, e pela ascensão de tendências asiáticas de cuidados com a pele, como a K-Beauty.
“A demanda por proteção solar (FPS) está se tornando menos dependente do sol intenso e de padrões climáticos, e mais intensamente ligada aos hábitos de prevenção. Recomendações de dermatologistas, a evolução das rotinas de skincare, o avanço da cultura do cuidado e a conscientização geral quanto aos efeitos acumulativos da exposição diária aos raios UV, mesmo durante meses mais frios ou nublados”, explica Larissa Jensen, vice-presidente sênior da Circana.
Produtos premium e de uso diário impulsionam a categoria
Esse comportamento se reflete na aceleração das categorias premium e de prestígio. Nos cinco maiores mercados europeus analisados pela consultora (França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido), as vendas de produtos de proteção solar premium cresceram 20% em valor no primeiro trimestre de 2026, período tradicionalmente menos ensolarado.
Em todo o mercado europeu de prestígio, as vendas de proteção solar somaram € 239,7 milhões (R$ 1,53 bilhão) nos 12 meses encerrados em março de 2026, alta de 17% em relação ao ano anterior. As formulações faciais se destacaram, com avanço de 26% em valor no mesmo período.
Formulações limpas e canais online ganham velocidade
Ainda segundo o levantamento da Mordor, as formulações químicas convencionais, responsáveis por 70,03% da receita da categoria em 2025, vêm perdendo espaço para alternativas orgânicas e naturais, cuja taxa composta anual de crescimento (CAGR) é estimada em 10,47% até 2031.
Esse cenário está alinhado às regulamentações ambientais e às restrições voltadas à preservação de corais, que direcionam investimentos em pesquisa e desenvolvimento para filtros minerais e híbridos.
Do ponto de vista demográfico, os produtos voltados ao público adulto geraram 85,21% do faturamento da categoria em 2025, mas as linhas infantis projetam crescimento contínuo de 10,12% ao ano no recorte analisado.
Mercado de prestígio no Brasil cresce 12% impulsionado pelo digital
Dados compilados pela Circana revelam que a categoria de proteção solar no mercado latino-americano de beleza de prestígio movimentou US$ 76 milhões (R$ 410,4 milhões) nos 12 meses encerrados em março de 2026. O montante representa 9% do mercado regional de skincare e expansão anual de 11%.
Embora o hábito preventivo ganhe força, a sazonalidade ainda é um fator crucial no continente, considerando que quase metade (47%) de todo o faturamento da categoria acontece durante os meses de verão.
No Brasil, o mercado de proteção solar de prestígio movimentou US$ 10 milhões (R$ 51,8 milhões) no mesmo período de 12 meses, avanço de 12% em relação ao ano anterior e acima do crescimento da categoria geral de skincare no país.
A característica mais marcante do mercado brasileiro, no entanto, é o seu dinamismo no e-commerce. O levantamento da consultora revelou que 63% das vendas de proteção solar de prestígio no país ocorreram online, e que os canais digitais cresceram a uma velocidade três vezes maior do que as lojas físicas.